Um mês.

"Oh flor, se tu canta essa canção
Todo o meu medo se vai pro vão
Pra longe, longe que eu não quero ir
Mas deixe seu rastro pólen, flor pra eu poder seguir ♪"
Maria Gadú

Enquanto eu pensava em te escrever, te discorrer maciamente em minhas teclas, muitas coisas vieram à mente. Só que nenhuma delas estaria aos pés do que vem crescendo aqui dentro, achei pequeno demais. As palavras iam nascendo timidamente, quase sem brilho. E então, na radiola que insiste em tocar incessantemente em minha cabeça, Maria Gadú cantava o amor para mim. O amor que venho escondendo, apenas dos olhos dos outros, por medo de embonitar demais. Porque o amor tem apenas que ser sentido como é, sem roupa, sem cascas, tem que ser visto como vem ao mundo: nu. Porque daí enxerga-se a pureza, conseguimos aproveitar toda a sua essência.

Eu venho aprendendo, estes tempos, que não é necessário tanta roupagem nas pessoas. Que não é preciso olhar sempre o lado positivo das coisas, olhar só o que as pessoas têm de bom a nos oferecer, venho conhecendo o lado obscuro das pessoas e tenho me surpreendido em ver que também é bonito. Tudo há poesia. A mulher que tem seus pretendentes e é vista como uma viúva-negra, a menina que sofre a decepção do primeiro amor, o rapaz que não consegue amar somente uma mulher. É estranho, mas é assim, essa é a vida.

E ando me conhecendo tanto, desde que você veio fazer parte da minha vida, desde que aprendi que amar não é exatamente a palavra, não aquele amor que os poetas buscam sempre, mas esse amar que vem nascendo entre nós no conhecer diário, no encher a paciência um do outro, de ouvir Rita Lee e fingir solos de guitarra, de sentir a alegria, alegria que Caetano Veloso cantava na época da Tropicália, de ouvir Roupa Nova deitados na rede. De saber que a verdadeira definição do amor é (...)

(...) que o que está no dicionário é errado. O amor, meus caros, apenas é.

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5 comentários

  1. Só tenho uma coisa a dizer: lindo texto!

    Beijo, Pâm!

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  2. (...) que o que está no dicionário é errado. O amor, meus caros, apenas é.

    E se é Pam...

    E não é na boniteza. Tão pouco na feiura das coisas. É nesse despertar vagaroso. Onde amar é ter consciência do sentimento, sem deixar escapar arestas de desânimo. O amor é aquilo que a gente aprende detalhando dia-a-dia. E haja amor pra gente tocar no violão!!

    Beijooo flor de maracujá!

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  3. Olá Pâmela... Eu aqui e você, como sempre, me encantando. Gosto muito da sua maneira que riscar os sentimentos, seu modo de fazer com que nós, leitores, consigamos sentir você.


    Lindo texto, lindo mesmo, muito doce e intenso.

    Beijos Menina.

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  4. Lindo o texto, e cheio de referências musicais louváveis.
    Enfeitam demais o amor, não há o que definir, só se tem que sentir.

    adorei.
    beijos

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