segunda-feira, maio 19, 2014

O amor nasce.

O amor nasce no boteco em que cabulamos as aulas da faculdade; no intervalo do trabalho quando descemos para tragar um cigarro; em um congestionamento infernal às 7 da manhã, enquanto o outro deixa você passar. O amor nasce enquanto você estuda geometria espacial em pleno feriado; quando você resolve ir à padaria da esquina tomar um café; quando você esbarra - cinematograficamente -, no outro ao atravessar a rua. 

Eu entendo que o amor nasce. Ele nasce quando a gente estende a mão ao outro de modo a apoiá-lo; quando você oferece uma bala a pessoa sentada ao seu lado no ônibus; quando você ouve alguém discutindo literatura, gostos musicais e percebe que vocês têm gostos em comum; quando a chuva cai e vendo que você precisa atravessar a avenida alguém lhe dá carona em seu guarda-chuva.

O amor nasce.
E eu tenho esperança nisso, porque todas as vezes que alguém se apaixona nasce uma poesia por aí. Façamos uma prece para que ele nasça, renasça e se faça em nós.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Sobre decência.





Jamais conseguiria manter um relacionamento baseado na imposição de força, de uma disputa para que saber quem é o mais forte na relação. Acredito que o que mantém um casal é o equilíbrio. Não há que se pesar sempre as decisões, não há que haver uma quebra de braço. Não consigo, sinceramente, entender como alguém consegue viver desse modo. Onde um tenta, de todas as formas, subjugar o outro. Fazendo com que as suas decisões sejam sempre manipuladas de acordo com o seu desejo. É indecente. Não há como associar a palavra amor em um contexto em que se encontre os termos: “manipulação, massacre, astúcia desmedida.”


Enoja-me a capacidade que algumas pessoas têm ao assumirem o papel de mártires, fazendo com que o outro seja massacrado ao imaginar o quão ‘culpado’ foi por cometer determinado ‘delito’. E me impressiona, de fato, a inocência e até mesmo ingenuidade deste ao vestir o papel de criminoso e aceitá-lo como se realmente o fosse. O problema nessa história toda é entender que o amor é capaz de nos levar ao céu e em segundos ao inferno. Você se torna alvo fácil do outro diante de sua falácia, de sua psicologia reversa. E outro agravante nisso tudo é que sabemos o que nos faz mal, mas nem sempre conseguimos cortar o mal pela raiz. Existe ‘amor’ que é pior que erva daninha.

quarta-feira, dezembro 18, 2013

Meu José


Se meu coração tivesse uma caneta em suas mãos sairia por aí fofocando e desnudando os sentimentos que me invadem neste momento. Meu José. O José. Ele tem o sorriso que me desarma quando eu tento reprová-lo por alguma ação. Não há como manter o rosto rígido “furioso” quando ele olha nos meus olhos e repete com a voz doce aquilo que eu acabara de dizer. Ele tem o dom de desenhar os meus melhores sorrisos, como um escultor que – cuidadosamente -, esculpi a sua obra. Ele arranca a felicidade dos meus lábios.

Há dias eu penso em discorrê-lo nas minhas linhas, mas achava que poderia roubar um pouco da beleza disso tudo. Bobagem. Eu que há muito falava sobre amores platônicos, hoje vivo um recíproco e meio que não sei como lidar. Como recebê-lo. É doce. É impressionante. É assustador – a maioria das vezes, mas é confortável.

Escolhi me dar uma chance ao receber o seu primeiro abraço, porque envolvida em seus braços me senti como se ali fosse minha casa. E, embora houvesse uma pequena relutância eu me deixei levar pelos abraços, pela fala mansa e macia que ele tem, pelo abraço caloroso e pelos sonhos que ele tece ao pé do ouvido. É assustador: eu repito.

Eu me apaixono todos os dias – irremediavelmente – quando ele me olha nos olhos e responde aos meus questionamentos. Quando ele me abraça e diz que há medo no sentir, mas que ele está disposto a correr o risco. Ele me apavora e me devora. Devora o meu coração e todas as borboletas que ali, por anos, se mantiveram instaladas.

Quando saio por aí e as suas mãos se entrelaçam às minhas sinto que meu coração facilmente poderá explodir. É esquisito. É como se não estivesse em meu corpo, como se não fosse eu ali. E mesmo que tantas vezes eu sinta vontade de soltá-lo, meu coração diz que as nossas mãos sempre formaram um laço.

Eu me vejo em seus olhos e a sensação que me dá é que posso derreter a qualquer momento. Ele me apaixona em todas as suas formas de ser. Quando observo o meu reflexo em sua íris me dá vontade de chorar, porque eu me desconheço e sinto que estamos dentro um do outro. É absurdo. Sei que é. É tão novo. Tão novo esse sentir. Ele me tem e acho que não sabe o quanto. Talvez nem eu saiba.

quarta-feira, outubro 30, 2013

A alma que poetiza (a poetisa)



Talvez eu acenda mais um cigarro esta noite e transborde o cinzeiro que você tanto detesta. Ou talvez eu apenas vire o rosto para a parede e durma sossegado. As letras não rabiscam mais o papel com a mesma facilidade e escrever me é, demasiado, doloroso.  São urgências inadiáveis estas que me levam a ti. No pensamento. No peito. É, Teodora. Ando te adorando em todos os passados e versos indizíveis e tu não olhas sequer para o telefone que te grita a noite inteira. 

Talvez eu beba mais um copo de vodca. É, eu ando bebendo aquela vodca barata nos copos americanos que peguei no boteco do meu avô. Quer algo mais decadente? É a decadência que os teus versos me impõe. É a ausência deles que me suprimem o ar e tudo aquilo que pode gerar oxigênio ao meu redor. Diziam que poeta era pessoa triste. E eu ando me vestindo plenamente esse ditado.

Ah, Teodora. Tu não vês que sou eu quem te adora? É um adorar sem controle, desenfreado e sem porquê. É uma manifestação involuntária que atravessa o meu interior feito lança rasgando-me por inteiro. Ah, Teodora! Se eu conjugar o verbo adorar tu estarás  iniciando cada tempo, adornando com tua beleza todos os modos verbais.

Seja-me o verbo, querida. 
Ou me dê a oportunidade de tê-la aqui tão somente. Cale os meus versos tristonhos e sem vida. Tire-me dessa sina de ser um poeta louco. Rasgue as minhas folhas. Queime os meus cadernos. Me tire de mim. Roube essas letras que me cortam inteiro. Corte. Recorte. 


quarta-feira, outubro 23, 2013

Jardineiro


Você começou a primavera dentro de mim, e não importa em qual estação esteja sempre haverá flores crescendo aqui dentro. Você que é o jardineiro que me cultiva e a razão pela qual espero as tão sonhadas borboletas. Um coração que se deixa virar solo e se permite abraçar sementes. Você, menino, que me colore a vida com hortênsias, margaridas e gérberas. Você que transforma a minha alma em uma roseira. É impossível não desejar que a vida floresça quando te vejo e me apaixono por seus olhos de estrelas. Você que é constelação, é espelho de estrelas.