quarta-feira, junho 13, 2018

TANTAS VEZES MORRI DE AMOR


A gente passa por cada decepção nesta vida e até chega a pensar que não aguentará e que morrerá de desgosto. Mas a gente não morre, a gente supera, a gente cria cicatrizes e aprende a não ser tão bobo. Aprende a olhar melhor o outro, a reparar com calma e extrair a verdade dos olhos e da fala. 

Já morri de amor tantas vezes. De desgosto muito mais. A vida é assim: morte e ressurreição. Nesse mundo de desilusão a gente é fênix, minha gente. A gente sempre ressurge das cinzas. A gente sempre levanta do tatame e recomeça, pois a batalha não acaba em uma luta. Não é um round que define os nossos caminhos.

Tantas vezes eu morri de amor. Tantas vezes eu morri de desgosto. E hoje eu olho para cada cicatriz e relembro os lugares que passei. Olho com pesar e gratidão para cada pedrinha que me fez tropeçar. A gente cai e pragueja, mas lá adiante a gente agradece. São as quedas que nos tornam fortes. São elas que nos direcionam ao caminho certo. Cair dói. Isso é indubitável. Permanecer no chão, beijando o solo, acariciando a pedra, é opção nossa. 

A gente tem a mania besta de cutucar a ferida para que ela não sare. Porque a gente tem medo de não ter mais machucado para cuidar. A gente faz dos ferimentos “bichinhos de estimação”, porque é mais fácil conviver com uma ferida antiga. A gente tem medo de se machucar de novo, então nos abraçamos aos machucados antigos. 

Então, para hoje, eu só peço que cada baque nos torne pessoas mais atentas, que cada tombo nos fortaleça um pouco mais. Decepções são involuntárias. A gente não tem controle sobre as ações das pessoas. O que nós podemos fazer é decidir como reagiremos a elas. Que a gente reaja sempre muito bem. Amém.

segunda-feira, junho 11, 2018

PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

Hoje participei da palestra “Gestão da Emoção” com o escritor Augusto Cury e me senti encorajada a falar sobre esse assunto que há dias penso em escrever. Falar sobre suicídio é um tabu e sugere-se que seja um assunto silenciado por acreditarem que a sua divulgação seja um gatilho estimulador. Entretanto, acredito que hoje, em meio a tantos casos, faz-se necessário à sua discussão.

Antes de vocês lerem o meu texto gostaria de pedir que vocês façam uma leitura livre de pré-conceitos e preconceitos. Que leiam atentamente e de coração aberto. Escreverei aqui como uma pessoa que perdeu 3 pessoas da família e alguém que luta diariamente contra esse sentimento.

Semana passada uma amiga tentou suicídio e quando eu soube fiquei em estado de choque. Mas ao contrário de muitos que disseram: “mas ela tem tudo”, “mas ela parece tão feliz”, “mais isso e aquilo”, eu apenas me peguei pensando sobre o quão pesada e avassaladora deve ter sido sua dor a ponto de atentar contra a própria vida. Eu pensei nela, lembrei de mim e das minhas inúmeras crises existenciais e de ansiedade. Eu olhei para o meu interior e enxerguei o buraco que há dentro de mim que, por mais que eu tente, não consigo preencher.

Nós precisamos mudar a nossa mente em relação ao suicídio. Quem tira a própria vida não quer de fato morrer. A pessoa quer viver, quer viver muito, mas não consegue. Não encontra condições suficientes e necessárias para levar a vida adiante. Quando eu lembro do meu avô e meus tios eu não os julgo por uma simples razão: eu sei o quanto a vida é pesada, porque eu a sinto diariamente me derrubando no chão. Há dias mais fáceis, mas nem todo dia é bom. Há dias que são angustiantes e por mais que eu explique aqui, que eu escreva, você não compreenderá. Porque é necessário estar na pele para sentir na carne.

Não é falta de Deus. E eu acho de uma extrema ignorância as pessoas atribuírem isso à religiosidade. O suicídio é o “ápice” de uma doença maior: a depressão. É, como muitos dizem por aí, a solução rápida para um problema que é temporário. Mas quem comete suicídio não tem tempo para pensar no amanhã ou avaliar se as coisas mudarão. Ele só pensa em acabar com aquela dor que sente. Ele só quer cessar com tudo.

Conheço inúmeras pessoas felizes que sofrem de depressão. Você também deve conhecer. Sabe esse colega de trabalho que ri de tudo e faz piada com tudo e todos? Ele pode chegar à casa e sofrer silenciosamente à noite. Sabe aquela pessoa que é admirada por todos e que tem a grama mais bonita da vizinhança? Ela também pode sofrer. Recentemente tivemos vários casos de famosos que tiraram a própria vida. Pessoas, aparentemente, com vidas perfeitas. Ou seja, a depressão é uma doença silenciosa e quase que invisível. É preciso que estejamos atentos a quem amamos para podermos identifica-la. Para que possamos apoiar quem amamos.

Há algum tempo decidi procurar ajuda profissional, porque percebi que não era autossuficiente e que eu não poderia me curar sozinha. Porque eu realmente QUERO VIVER, mesmo que minha cabeça fale que não. Porque eu tenho planos e sonhos que quero realizar. Às vezes nós precisamos entender que não temos real domínio sobre nossa vida e que muitas vezes precisaremos do auxílio de outras pessoas para seguir em frente; sejam elas amigos ou médicos.

Eu decidi por mim. 
Porque eu quero ver meus sobrinhos crescerem, porque eu quero conhecer vários países, porque eu quero ter meus filhos, publicar mais livros e plantar algumas árvores. Porque eu compreendi que minha vida não pode se resumir ao meu quarto escuro aos finais de semana. Porque eu entendi que a minha ansiedade nada mais é que o desespero por não saber por que caminho seguir. Mas eu estou disposta a encontrar esse caminho mesmo que a estrada seja árdua e que o fardo me doa. E se eu não conseguir carregar eu dou permissão a quem me ama a me ajudar a carregar.


Acreditem.
Eu quero viver.

Quero muito.

segunda-feira, maio 14, 2018

Sobre você



Acho engraçado como você pega a comanda e coloca no bolso para que eu não pague o lanche. Mas acho tão bacana porque você não se irrita quando, por um descuido, eu passo a comida no débito. Você ri e diz que sou geniosa, mas que está tudo bem eu ser uma baixinha encrenqueira. Que não dá pra mudar esse meu instinto de ser livre e que me gosta assim, de asas abertas, pronta para dar rasantes no céu.

Acho tão bom quando você me abraça do nada e me chama de coisas que só você entende. Ainda fico na dúvida se ser chamada de Filezinho de Merluza é bom ou ruim. Acontece que tudo soa tão bem vindo dos seus lábios, tudo é dito com tanto carinho, que não há como não sorrir e agradecer por ter você em minha vida. Às vezes me pego pensando nas reviravoltas que o mundo dá. Os caminhos que somos obrigados a percorrer para, no final das contas, regressarmos à largada inicial.

Acho tão bonito como você me inclui nas suas coisas, naquilo que não havia necessidade de eu estar. Daí você me lembra que não há segredos, que sempre há espaço para mim em seus sonhos e que onde você estiver eu estarei. Sorrio do teu jeito de ver o mundo e me encanto com a maturidade que você encara os desafios da vida. Acho incrível quando estou prestes a explodir e você me pega pela mão, me faz respirar devagar e olhar o problema por outro ângulo. Há sempre uma saída sem estresse, você diz. E eu sempre alcanço ela ao seu lado.

Acho tão fantástico o modo como você me vê. Talvez eu não tenha a mesma sensibilidade que você. Acho mais sensacional ainda lembrar a quantidade de qualidades que você me enumerou enquanto eu insistia em contar sobre os meus defeitos. E o modo como você me disse, olhando em meus olhos: o que é defeito para uns é qualidade para os outros. Não se deixe medir pelos olhos alheios, de quem não te ama e não te vê.

Acho incrível o modo como você vê a vida, eu repito.

Mas acho mais incrível ainda o modo que você me leva a me enxergar em você.

sexta-feira, abril 27, 2018

Quem deve ser prioridade?

Tem sonho que fica no papel por muito tempo, porque a gente não tem disposição para correr atrás ou porque caminha na direção oposta. Se a linha de chegada está à direita, você não a alcançará se for para a esquerda. Estou desde a manhã analisando onde venho errando nos últimos anos e cheguei à conclusão de que eu não tenho foco o suficiente e que não tenho como prioridade os meus sonhos.

Dói olhar para dentro de nós e enxergar as nossas falhas. Dói, mais ainda, saber que todo mundo é prioridade e você não. Tantas vezes eu já ouvi da minha irmã que eu precisava pensar mais em mim e que a minha generosidade apesar de bonita ainda ia me custar muito caro.

Eu preciso parar de abraçar problemas que não são meus, de deixar as minhas coisas de lado para ajudar os outros, de me deixar em segundo plano porque preciso socorrer quem me pede ajuda. Tem fardo que eu não preciso carregar. Tenho refletido bastante nos últimos tempos, em 2015 estava obstinada atrás de um sonho e deixei escorrer por entre os dedos por pura permissão minha, porque desviei o olhar do meu objetivo.

Não me arrependo dos abraços que dei e da mão que estendi. Mas eu ando bem cansada de ser boazinha, de sempre estar disponível para apagar incêndios que eu não acendi sequer um fósforo, de tentar resolver problemas que não são meus. Às vezes a gente precisa dizer “nãos” para que a consiga viver. Eu não aprendi a dizer, infelizmente. Mas espero, de todo o meu coração, inserir essa palavra no meu vocabulário. Hoje eu amanheci bem reflexiva em relação às minhas amizades, aos meus amores, ao que venho plantando e fico entristecida por enxergar que grande parte das minhas relações são infrutíferas.

Eu preciso aprender a separar o joio do trigo o mais rápido possível. Ou então perderei a colheita da minha vida. É como diz lá em 1 Coríntios 6;12: Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.Que eu acorde para a vida e aprenda a me colocar em prioridade e pare de ser a pessoa que de tão boazinha passa a ser trouxa.

quinta-feira, abril 12, 2018

Ela está muito bem sem você, obrigada!



Ela está muito bem sem você, obrigada!

Não foi fácil ela te colocar na lista dos “nem devia ter começado”.  Mas ela finalmente conseguiu seguir a vida sem olhar as suas postagens, sem permitir que aquele sorriso bobo – põe bobo nisso – surgisse no rosto ao lembrar dos momentos em que estiveram juntos.

Sabe o que é? Ela percebeu que você era um babaca. Que se tornou “príncipe encantado” só pelo nível exaltado de carência dela. Ela tira e põe pessoas na vida dela quando quer. O amor-próprio dela grita. Enquanto ela quis se enganar com você, se enganou.

Bastou decidir consigo mesma que você era tão desnecessário na vida dela e assim, não merecia nem um minuto dos pensamentos dela; pra te enterrar nas emoções dela. Quando ela deixa alguém de lado, é uma vez só. E olha, muitas mulheres são de “idas e vindas”. Ela não.

Aquela mulher sabe que não precisa ter alguém do lado pra ser feliz. Ela é feliz com a própria companhia. Estuda, trabalha, cresce pessoal e profissionalmente. Tem muitos amigos, ama estar consigo mesma. Ela não precisa de você. O que tiveram foi um devaneio dela. Porque ela permitiu, ela quis.

Ao somar a tristeza e vazio que você provocava na vida dela e ver que era maior que as alegrias, ela teve certeza que você só serviu de experiência. Não há mágoas, ela é mais forte do que isso. Mas não espere mais que ela vá atrás, nem que ligue, envie mensagens/e-mails. Ela não vai mais te procurar. Sabe o que ela faz quando pensa em você? Rebate o pensamento com “como perdi meu tempo!”. Ela está muito bem sem você, obrigada! É uma mulher forte, batalhadora, corre atrás da própria felicidade. Não a deposita em mãos alheias.

E olha, daqui um tempo ela estará tão bem que você vai ser passado enterrado à sete chaves. Não vai provocar nada nela. Talvez uma curiosidade em saber que você continua sozinho, largado e por aí com umas e outras. Enquanto ela estará linda, amada e vivendo muito bem os dias dela. Sabe o mais intrigante de tudo isso? Ela aprendeu que não precisa de alguém do lado pra ser feliz! Ela aprendeu que o que for pra ela, vai se encaixar à vida dela naturalmente. Você e ela eram algo que exigia esforço demais. Não era pra ser mesmo.

Ela sofreu, ela correu atrás, ela lamentou pelas as outras. Ela chorou, ela bebeu, ela se acabou numa panela de brigadeiro. Mas ela se reergueu. Passou por cima de tudo e está cuidando de si. A vida dela é mais leve sem a sua presença.

As suas mentiras, ela jogou no mar. Ela não é mulher de desejar mal a alguém, vive como se você não existisse. Segue a vida, correndo na direção dos objetivos, cheia de amor-próprio. Ela ficou mais forte depois de tudo o que você provocou.

Segue a sua vida. Não perca o seu tempo pensando nela. Tentando saber sobre ela. Essa moça é do tipo que deixa de lado uma vez só. Às vezes em que ela foi atrás, era na tentativa de não deixar morrer o que vocês estavam construindo.


Mas agora, ela deixou de lado. E isso não tem volta. 


terça-feira, abril 10, 2018

Carta aberta ao meu ex


Há muita coisa entalada aqui dentro. Há dias que eu penso em você com um certo pesar; outros dias eu lembro com muita tristeza. Não há como dizer se, em alguns desses momentos, eu penso com amor. É tudo muito confuso o que ficou aqui dentro de mim e muito doloroso também. Com uma dor imensa no coração eu digo que sinto saudades de você. De quem fomos. De quem éramos. Sinto saudades de dividir minhas pequenas alegrias e minhas grandes conquistas. Dia desses conquistei algo tão grande e não tinha você para me parabenizar. Dia desses eu tomei café na xícara que você me deu, enquanto escutava a nossa música no Spotify. Dia desses eu peguei aquela caneta tinteiro que você me deu, no dia dos namorados, e fiquei pensando: “como diabos é que eu faço para usá-la?”

Há muita coisa presa na garganta ainda. Um monte de coisas que eu queria ter dito para magoar seu coração, para te fazer sentir a dor que eu senti. Mas há também tanta coisa que eu nem sei definir. Nem sei se deixei de te amar, a única coisa que sei é que você me faz falta do nascer ao pôr do sol. Da primeira até a última hora do dia. Tão estranho acordar e não ter você. Tão doloroso é sentir que nunca mais seremos. Tão triste é lembrar da gente, dos nossos dias juntos, de fechar os olhos e ver você me estendendo a mão e saber que você quis caminhar por outra direção. Sem mim.

Há muita coisa aqui dentro do coração. Tem dia que não dói tanto e nesses dias eu sorrio mais. Mas tem dia que é tão terrível, que me dilacera por dentro e eu choro feito uma criança. Hoje é um dia desses, sabe? Em que eu queria que tudo fosse apenas um pesadelo e que ainda fôssemos quem éramos um para outro. Eu sinto saudade do meu melhor amigo. Sinto saudades das suas piadas idiotas e das canções que você postava em seus stories para mim. Sinto saudades das suas selfies e de mandar fotos com caretas para você. Sinto saudades de te mandar longos áudios e de ouvir o seu sotaque bonito. Sinto saudades da sua filha – eu a amo tanto. Sinto saudades dos nossos planos, de imaginar nossas viagens e pensar como seria observar as auroras boreais ao seu lado.

Há muita coisa aqui em mim e eu não consigo esvaziar. Vez ou outra alguém toca no teu nome e eu sempre dou um jeito de te defender. Digo que a culpa não foi sua, que foi das circunstâncias e de toda a distância que nos separava fisicamente. Mas logo alguém me diz que você não me amou o suficiente e isso me dói o coração. Talvez eles tenham razão. Eu nunca saberei.  Eu disse que nunca mais ia escrever nada sobre você, mas eu não estou aguentando o peso dos meus sentimentos, ando tão sufocada, tão deprimida, que às vezes nem eu mesma me compreendo. Todos os dias eu acordo e me pergunto se você ainda pensa em mim, se também sofre como eu sofro, se ainda sou alguém importante para você, se você ainda ouve as nossas músicas ou se muda logo a estação quando elas tocam. Mas minhas perguntas não são respondidas e não há quem possa responde-las. Hoje meu coração dói de uma forma tão inexplicável que eu só queria que você chegasse e dissesse: é só um sonho ruim, eu nunca fui embora, eu sempre estive aqui. Mas eu sei que você se foi e até hoje eu não entendo o porquê. A gente tinha uma relação tão bonita, tão verdadeira, tão incrível. Como foi que você desistiu de mim?