quinta-feira, outubro 08, 2015

O amor é livre. Eu também estou



Quero te contar que eu não insisto mais e que me livrei dos fantasmas que me atordoavam. A vida tem me dado tantas rasteiras que só agora percebi o quanto fui cego e me deixei levar. Talvez a insegurança me fizesse pensar que não conseguiria ser de mais ninguém, que só você me faria feliz. Quanta inocência, não?

Os amigos me alertaram, a vida me induzia a seguir um outro caminho, mas não, eu queria ver qual ia ser da gente. Eu tão cabeça dura, me deixei levar até onde podia. Talvez insistir era o que eu precisava naquele momento. Eu tão dono de mim, tão cheio de achismos. Acabei quebrando a cara mais uma, duas, dez vezes. Fiz das tripas coração. Empurrei com a barriga nossa história, tracei novas formas, estudei nosso caso para tentar reverter e te arrancar aquele sorriso que eu tanto gostava.

Eu quis te ver de novo. Quis reacender aquela chama de quando nos encontramos pela primeira vez e, tive a certeza de que com você seria diferente. A gente tem disso, de achar, de acreditar que ''agora vai'." Balela! Se não for recíproco, meu amigo, a coisa não anda. Impaca, causa dores e depois pra curar é um caos.

Parei de atualizar as redes sociais. Parei de olhar de minuto em minuto a última hora que você visualizou o whatsapp ou postou aquela foto no instagram com uma frase motivacional, tentando convencer todo mundo de que superou. Conta outra. Eu te conheço muito bem, e sei mais do que ninguém que, tá doendo aí também. Você não é isso tudo que demonstra ser.

Se desfazer das lembranças, trocar os móveis de lugar, tirar todas as nossas fotos espalhadas pela casa e mudar o status nas redes sociais, aparentemente, te fez acreditar que tudo estava caminhando muitíssimo bem. Fisicamente você poderia até estar bem, mas só você sabia o quando a saudade fazia morada, e o quanto foi ruim acostumar com alguém que se preocupava diariamente contigo e do nada, sumiu do mapa sem deixar rastros.

Eu queria te contar que no inicio não foi fácil. Que tive a sensação de ter perdido o chão e que a vida não me permitiria conhecer alguém tão especial quanto você. Eu queria te contar das mensagens que escrevi no meio da madrugada e não enviei por falta de coragem.  Eu sei que isso não faz mais sentido agora, mas eu precisava agradecer por ter me feito enxergar quem foi você de verdade. Digo foi, pois você morreu dentro de mim, não faz mais parte dos meus contextos e deixou de ser a pessoa que eu mais me orgulhava de ter conhecido.

Estar do seu lado nunca fez diferença. Ser todo seu, e só teu, também não. Ter te mimado, ter te dado o meu melhor e o que você precisava pra sobreviver sobre o mundo que te cercava, não fez sentido. Embora a vida tenha nos dado outro destino, ter nos feito escrever uma nova história, a verdade é que a gente se complementava para substituir vazios. Pra suprir a carência e a vontade de ter alguém do lado pra chamar de ''meu bem''. A gente não se doou por inteiro, éramos apenas metade. Concluí que, em meio a tanto amor e desentendimentos. Tantos planos e juras, chegamos a tal ponto de amar tanto um ao outro, e depois de um tempo nos tratarmos feito estranhos. Estranho, não?

- Rogério Oliveira (Conhecer a pagina só clicar AQUI)


quarta-feira, outubro 07, 2015

Plutão deixou de ser planeta, meu amor


O céu estava bem claro, o sol latente sobre a cabeça dos transeuntes e eu divagava em milhares de sensações presentes em mim. O ônibus deslizava rapidamente pela rodovia, e eu lia – como de costume – um livro de meu autor preferido que me faz pensar em você. Sim! Talvez por ele ser tão inconstante, medroso e por falar de amor apenas em letras, assim como eu o faço.

E então eu avistei ao longe uma fileira indiana de eucaliptos, e me dei conta de que eu penso em você todas as vezes que eu os olho. Não! Você não parece um eucalipto – me escute. É que quando eu era criança achava-os tão majestosos, imponentes e costumava deitar sob a sua sombra, achava uma delícia, amava aquela sensação. A mesma que sinto quando eu penso em você, sabe?

Então, eu fiquei imaginando o que você pensa quando os vê também. Sim! Isso! No caminho de sua casa. Você já observou que fazemos a mesma trajetória em direção a nossas casas? Exceto por você ir para outra direção, entrar em outra curva, assim como acontece com a gente. Infelizmente sempre caminhamos em direções opostas. Queria saber se será sempre assim, se não mudará. Você poderia me responder?

Olhe pra mim, por favor. Seus pés são mais interessantes do que o meu rosto? Tudo bem. Não precisa olhar para mim - Pare. Não enxugue as minhas lágrimas, eu gosto dela. Do sabor delas. Elas me dizem que você é real em mim. Então não as tire de mim, por favor.
Sabe, essas coisas que tento te dizer não se dizem costumeiramente. E eu reconheço que vivo falando por metáforas, mas você não me ajuda também. Essas analogias que eu crio para te levar a entender o que se passa dentro de mim é chato. Eu sei. Mas me cale a próxima vez que eu tentar falar dessa forma. Não sei. Encoste-me na parede. Tome uma providência. Tire-me do chão e me ponha no céu, ou devolve-me ao chão e me tire o céu. Não, não faça isso. Ou faça.

Tudo bem então. Esqueça tudo o que eu disse. Que tal falarmos de música, literatura – tudo bem sei que não gosta dos meus livros, mas podemos falar sobre O Grande Sertão Veredas, o único livro que você leu - forçadamente, mas leu. Okay, eu confesso que também não li uma vírgula sequer e pesquise resenhas na internet para fazer minhas atividades escolares. Você poderia fazer uma resenha para mim? Que loucura e despropósito te sugerir isso. Sabia que Plutão deixou de ser planeta? É, verdade. Já tem alguns anos.

Só me fale alguma besteira - das mais loucas às estapafúrdias - para romper esse silêncio em nós.

terça-feira, outubro 06, 2015

é errado querer


Não sei como lidar com esse sentimento dúbio que pulsa dentro de mim. Outro dia eu contei — para todo mundo que se propôs a ouvir — que eu não mais falaria teu nome e que você era uma página virada na minha vida, mas confesso que tem uma chama de esperança acesa. Ela é mínima e quase opaca, mas é. Quase todos os dias, consigo diminuir o brilho dela, até quase fazê-la se apagar. Mas então, quando ela quase se apaga, você reaparece falando aquelas coisas que gosto de ouvir. E a chama reacende — mais forte do que nunca.

É errado, eu sei. Digo para mim mesma todos os dias, embora me faça bem. Consigo mensurar o tamanho do tombo, embora me faça bem. Consigo dimensionar a imensidão do arrependimento. Mas me faz bem, entende? De fato, não sei como lidar com esse sentimento dúbio. Não sei como driblar as minhas vontades erradas. Se é que são erradas. 

Talvez o erro tenha sido deixar você entrar na minha vida. As coisas estavam bem e alinhadas antes de você chegar. Ok, estavam pacatas, chatas e mornas, mas ninguém precisa saber disso, precisa? Você não precisa saber disso, e é fato que nunca te contei abertamente o quão me faz bem conversar contigo e como eu adoro quando você prolonga nossas horas.

O sentimento é dúbio. Uma mistura entre paixão e amizade. Eu não entendo esse meu querer bem e não consigo mensurar o quão bem eu te quero. Mas eu te quero. De um jeito torto e errado, mas quero. E não queria querer.

Não sei como lidar com esse sentimento dúbio que pulsa dentro de mim.

segunda-feira, outubro 05, 2015

Segunda Love Song's


Hoje entra no ar uma nova seção no blog: Segunda Love Song's. Eu tive a oportunidade de ter uma infância embalada por canções belíssimas, então sempre que ouço alguma canção dos Beatles, Spandau Ballet entre outros, eu sou teletransportada para a minha meninice. Ontem estava tocando algumas canções e voltei à época em que minhas maiores preocupações eram as notas de matemática, brincar de boneca debaixo da mangueira ou assistir TV Colosso e Disney Cruj.

Este post é uma breve apresentação do que virá pela frente. A ideia é escrever um conto - porque esse é meu forte - baseado em alguma canção antiga. A canção de hoje será Every Breath You Take  (1983) do The Police.





CADA SUSPIRO

Lençóis encobriam-lhe metade das pernas deixando o restante a mostra. Ela tem o dom de me apaixonar nos mínimos detalhes, ela me pega o coração na mãos com a facilidade que se toca em um objeto inanimado qualquer e me transporta ao céu ao me fazer pequenas juras de amor ao ouvido. Enquanto a observo dormir ouço a sua respiração mansa, cantando mil notas de paixões muitas. Ela é, sem dúvida, a maior canção que os meus ouvidos já ouviram na vida.

Cada suspiro que ela der - eu repito solenemente - será como um mantra a me teletransportar ao Tibet ou a algum lugar sagrado. Os meus olhos não se cansam de admirar não somente a beleza, mas toda a inocência que se esconde por trás desse ressonar macio dela. E eu me derreto. Como há muito não fazia, como há tempos eu não conhecia, desconheço-me e reconheço-me em seu corpo que me mantém, detém e retém.

Cada passo que ela der - eu também confesso - será como uma mapa a me direcionar aos sonhos que há tanto tempo busquei, admito que ela se faz direção e que hoje a tenho como bússola. Amor, amor e mais amor é o que ela é me aponta. Uma rosa-dos-ventos que me conduz ao céu e que, também, me levaria aos lugares mais recônditos do mundo. Sempre que ela quiser.



domingo, outubro 04, 2015

Coragem

*Pra ouvir ao som de Ela Manô - Coragem

Quis gritar. Arrumar as malas. Bater a porta e ir. Pra onde, não sei.

Enquanto despejo minha angústia nestas palavras mal organizadas, Manô me canta aos ouvidos:

"Amor não é assim, arrumar as malas e ir embora.
Amor não foi assim, o que combinamos eu já nem sei..."

Não. Não combinamos nada disso. Não combinamos nossas brigas por nada. Não combinamos esse desencontro de ideias, de opiniões. Não combinamos silêncio. Não combinamos a falta de tato. Não combinamos distância. Não combinamos as malas feitas. Não combinamos esse adeus.

A cena é típica de um romance de baixo orçamento. A cerveja esquentando em minhas mãos. O cigarro esquentando-me a garganta, obstruída por todas as palavras que eu não disse. Engoli, sem direito de resposta. Inflamou. A porta tão fechada quanto teus ouvidos para meus questionamentos. Os cabelos tão bagunçados quanto meu peito, depois de tanto guardar. A roupa tão usada quanto as tuas desculpas.

Minhas mãos suam. Contrariam, como sempre, o vento gelado que passa pela janela entreaberta. Quis ser folha, passear por aí com o vento. Quis ser menos. Tudo menos essa na qual me transformei. Quis não me importar. Quis ser qualquer coisa que se assemelhasse à garota segura, independente, disposta e compreensiva por quem você se apaixonou. Quis ser eu novamente, mas não fui. Não deu. Não dessa vez.

Gritei. Arrumei as malas. Bati a porta e fui. Pra onde, não sei.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Quase uma Dona Flor. Quase.


Sentou-se na varanda observando a chuva que caia incessantemente. Ela não era bonita, puro agouro. Estava lá com um cinzeiro abarrotado de tocos de cigarros, alguns maços em cima da mesinha e um litro de uísque 12 anos, que vinha bebendo do gargalho - não era necessário um copo. Sua boca era amarga, não pela bebida, muito menos pela nicotina, era a amargura que vinha de dentro. Estava sentado há horas, não se lembrava se havia acordado ali, ou se apenas havia sentado ao amanhecer. Tudo lhe era incerto. Suspirava enraivecido o nome de Úrsula.

Ela havia deixado, como de costume, a sua cama na madrugada. Marco, havia se cansado disso. Sentia-se usado, declamava-lhe poemas, mostrava-lhe os textos que dedicara e fizera sobre os dois. Ela, por sua vez, deliciava-se com o seu jeito doce de ser. Talvez, o amasse, mas não sabia até onde, quando. Não sabia se gostava apenas de suas palavras, ou se realmente o amava. Ele não era como Júlio, o comerciário com quem se encontrava às escondidas todas as tardes dentro do estoque de calçados, ele sim sabia fazer uma mulher feliz. Pensava ela. Não conseguia imaginar a ideia de viver com Marco, ele lhe propusera casamento, ela não queria compromisso. Queria ouvir Camões em seu ouvido, enquanto se amavam, mas queria ouvir palavrões enquanto se perdiam na seção de sandálias femininas com Julio. Sentia-se completa com os dois. Embora ambos não soubessem a existência do outro.

Úrsula amava os músculos de Júlio, ele ficava bem sem camisa, não era inteligente. Certo, possuía lá a sua serventia, mas não era tão dotado quanto Marco. Ele tentava ser romântico, sendo um fiasco diversas vezes, e ela não gostava dessas investidas. Pensava: - Tenho, Marco, para me amar com palavras. E assim, Marco fazia – amava-lhe com palavras, com docilidade, toques amenos e cuidados, enquanto Júlio lhe desejava e possuía como um cachorro enraivecido. E ela gostava de ambos.

Marco que estava sentado em sua varanda, embriagando-se viu Helena, correndo da chuva. Estava ensopada e tentava-se abrigar debaixo de uma mangueira. Levantou-se então, e com um guarda-chuva trouxe-a até sua varanda e lhe ofereceu uma toalha para secar-se, os olhos azuis de Helena transbordavam, não por causa da chuva, mas por ter terminado com seu namorado que a esbofeteou, ela chorava rios. E ele lhe enxugou as lágrimas, lendo um de seus poemas. Ali, Helena e Marco apaixonaram-se, em meio a lágrimas e um doce soneto que Marco declamou. Úrsula – Pensou ele, tinha vaga memória deste nome.

A loja que Júlio trabalhava estava em liquidação, a movimentação era tremenda e a gerente da filial de Campos Belos visitou a loja. Ela era morena e tinha traços indígenas, uma beleza descomunal. A sua voz era imponente, mas doce. Ela derrubou, sem querer, as caixas que Júlio arrumava no estoque. E ao ajudá-lo a recolher, seus olhos cruzaram-se e penetraram-se por alguns longos minutos. Júlio, que era burro na visão de Úrsula, lembrou-se um livro escrito por José de Alencar e disse a moça: a virgem dos lábios de mel e de cabelos mais negros que a asa da graúna. Que coincidentemente, chamava-se Iracema. E eles se apaixonaram.

Úrsula procurou Marco, mas ele não atendia. Os seus telefonemas não eram atendidos, ele trocara a fechadura da porta, e suas janelas sempre estavam fechadas. Marco enviou-lhe um poema de Caio F. que lhe dizia: "Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, ERA SEU. " E a ênfase no final da frase, mostrou-lhe que tudo havia acabado. Úrsula chorou e desejou entregar-se a Júlio a fim de esquecer.

Então, Úrsula procurou Júlio, a loja continuava inflamada por causa dos descontos absurdos que a loja resolvera praticar. Vira algumas vendedoras, outros vendedores e encontrou Maria, amiga de Júlio que sempre lhes vigiava a porta na hora do almoço, nos seus encontros amorosos no estoque. Maria lhe dissera que Júlio havia sido transferido para a filial de Campos Belos e que lhe indicou um livro para que lesse: Iracema, de José de Alencar. E Úrsula achando que Júlio nem sabia ler.

Úrsula não sabia o que era choro há tempos, experimentara de tantos outros sentimentos, amor, paixão, felicidade, prazer, mas tristeza lhe era novo. Ela chorava enquanto andava desolada pelas ruas. E ao contrário de Júlio e Marco não encontrou ninguém que lhe enxugasse as lágrimas. Terminou sozinha.