quarta-feira, agosto 19, 2015

Desculpa, amor.

Post coletivo do #EEC:
Não me venha com desculpas tortas.


Foi uma miragem. 
Eu repetia em minha mente. A minha memória estava congestionada demais, não conseguia concatenar bem as ideias, mas sabia que - no fundo - aquilo que havia presenciado era real. Os meus olhos te seguiam naquela avenida, naquela tarde de verão com sol a pino, e permaneceram fixos até tuas mãos se entrelaçarem às dela, e com os pés imóveis e embasbacada permaneci ali. Inerte. Esboçando uma reação absorta. Morri mil vezes naquele lugar, debaixo daquele sol de 40º C que a Fernanda Abreu tanto canta para enaltecer o Rio de Janeiro.

Derreti.

Vi meu coração se dissolver naquela praça assim como um picolé se desmancha ao cair no chão quente. E, por um instante, eu quis apenas ter demorado um pouco mais a atravessar a rua, talvez se eu tivesse aceitado a sugestão da manicure de pintar as unhas também, ou se eu tivesse comprado - como sempre faço - um sorvete em frente ao ponto de ônibus, ou, quem sabe, tivesse papeado com o seu Zé na banca de revistas. Mas nada disso eu quis fazer e o destino quis me presentear com a sua aparição dolorosa e repentina. E dentro de mim, em minha cabeça tão atordoada, eu me perguntava o porquê de tudo isso. Por que eu não podia fugir daquilo que havia presenciado? 

E enquanto eu te espero aqui, sentada nesses degraus gastos, sentindo a brisa beijar o rosto que outrora estivera quente pelo sol, elaboro julgamentos, diálogos irrefutáveis, uma forma de te encurralar e impedir que você venha, como sempre, cheio de falácias e conversas moles. E sob esse céu ainda azul eu me vejo abandonada, sem chão, acompanhada apenas de uma lágrima fugitiva, embora contida, e milhões de questionamentos. Dos mais simples aos mais estapafúrdios. 

É, amor! A vida nos presenteia, mas nem sempre o que ela tem nos é de bom grado. Mas, talvez, sem a tua ajuda, sem esse fatídico acontecimento, jamais teria reparado que o amor tem que vir de dentro para fora, que os relacionamentos devem estar embasados, ter seus pilares fixos, na confiança e diálogo. E, sabe, amor, há tempos que já não somos um para o outro. Que a intenção de dividir as vidas, separar os corpos, vem sendo instituída involuntariamente. E, acredito que isso que estamos vivenciando, esse possível fim, já estava escrito com ou sem flagrante.

Suponho que a vida que me levou a descer até à praça hoje à tarde. Creio que sim. E por mais que o sentimento de negação ainda esteja latente dentro do peito, por mais que o meu desejo de que exista explicação grite dentro de mim, eu aceito de boa vontade a sua ida, sem discussões ou conflitos. Não precisa vir até mim com discurso ensaiado, com palavras doces e cheias de amor. Não me venha, meu amor, com desculpas tortas.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Cuidado com a carência.


Cuidado com a carência. Ela pode ser uma arma engatilhada na sua cabeça sem que você perceba. Algumas pessoas leiloam seus corações com o intuito de se livrar do rótulo de solteiro. Dê seu coração a quem você acha que merece. Àquele que faz seus olhos brilharem quando passa, à moça que com carinho te veste de gentilezas desinteressadas, ao rapaz que com um bom dia consegue acelerar o teu coração. Não entregue a qualquer um ou porque acha que ninguém jamais te amará. Não dê motivos para que os outros acreditem que seu coração é um objeto. Não dê.

O problema é que abraçamos a primeira oportunidade de abandonarmos esse título e pouco nos importamos se estamos preparados ou não. Limpe a casa. Organize todos os cômodos do seu coração e aguarde o momento certo. O ditado que diz que devemos cuidar de nosso jardim para atrairmos as borboletas é verídico. Não há como receber um visitante sem condições de recepcioná-lo, acolhê-lo. Ele sairá batendo a porta em questão de tempo apenas por causa de sua desorganização.

O amor não tem que ser desesperado. Ao contrário, devemos deixar que ele surja aos poucos. Que ele nasça insuspeitado e sem razão de ser. Assim como as lianas que aos poucos se enroscam à árvore que desejam viver, ‘namorar’. O amor deve ser aguardando, mas para que isso aconteça devemos dar espaço para que ele cresça em nós. Não há como ele sobreviver em nosso interior como se vivesse espremido em uma despensa.

Por isso eu digo: esvazie os cômodos, limpe todas as gavetas, desfaça-se daquilo que não lhe cabe. Deixe os sentimentos antigos de lado, não se atemorize com o passar do tempo, não seja afoito. O amor surgirá quando menos você esperar. Assim como uma borboleta que pousa sem prévio aviso em nossos ombros. Paciência é uma virtude. 

Se é.

quarta-feira, agosto 12, 2015

Pode ir, amor.


"O amor é nobre demais para ser mendigado".
Eu me chamo Antônio.

Eram dias insuportáveis aqueles que vivi à tua espera. Aquela sensação de que o fim estava próximo não me abandonava, mesmo que você viesse todos os dias, bater o velho e bom ponto, só para me dizer que ainda se importava. Eu te enviei o sms não mais criando expectativas, bem, na verdade, enviei enterrando essa relação falida que vínhamos mantendo há anos. O mal de quem ama, ou pensa que ama, é acreditar que as pessoas mudarão em nome de um pretenso amor. Quantas centenas de dias eu carreguei comigo a esperança de que nós vingaríamos? Que não era hora de desembarcar e que talvez eu devesse esperar mais uma estação.

Que tipo de amor é esse que se contenta com mensagens diárias, com ligações rápidas e se esquece que o contato físico é que nos tornam realmente um par. Há algum tempo venho repetindo na cabeça uma velha, sábia e até batida frase que li em um livro recém-adquirido: “o amor é nobre demais para ser mendigado”. Desde então me vejo sentada na porta da sua casa, com uma latinha esticada em sua direção aguardando suas migalhas de amor. É cômica, hilária e trágica essa constatação de que – embora esteja me relacionando com alguém – eu estou solitária, mais sozinha que um solteiro em plena segunda-feira.

Nós só aprendemos o real valor de um conselho quando temos que usá-lo a nosso favor. Às vezes me pego olhando para o espelho repetindo tudo aquilo que digo às minhas amigas. A vida é tão clichê no final das contas. É como se nossas recomendações vestissem tamanho único. Tudo aquilo que lhe digo me serve também. Então, me deparo com outro ditado popular, um provérbio, que diz: “em casa de ferreiro o espeto é de pau”. E sorrio. Sorrio de mim, para mim, para minhas colocações e meus conselhos. Eu me vejo encurralada. Como se a vida fosse um labirinto, só que ela não é.

Depois de uma reflexão sobre a vida, uma análise crítica sobre esse nós que estamos sendo, uma lida em alguns textos de autoajuda – sim, às vezes a gente precisa – eu te dou cantar branca para abrir a porta e sair por ela. Pode ir, meu amor. Mas vá embora e esvazie todas as gavetas, olhe debaixo da cama e recolha seus chinelos, pegue a sua escova de dente e seu creme de barbear, mas, por favor, não diga que não dei sinais, que não lutei pelo que poderia ser. 

E a você, leitor, finalizo esse texto fazendo uma prece: "desejo que você se encontre, antes de encontrar alguém com quem dividir a vida". 

terça-feira, agosto 11, 2015

Carta ao coração.


A gente tenta, de todas as formas, ser racional e aceitar que nem tudo na vida é como a gente quer. Mas…Então é você – eu sei que é. Que confunde tudo o que já estava resolvido. Que balança aquilo que parecia inabalável. Que estremece e faz com que os sentidos sejam perdidos. É, tudo culpa sua coração.

E não adianta, não mesmo, dizer que você é inocente. Todos nós sabemos que não é. Apesar de acreditar que você erra tentando acertar, mas seja menos audacioso. Dê um tempo para respirar, dói. Se continuar dando trabalho, seguirei o exemplo de Clarice e terei que rifá-lo.  Deixe de pregar peças em mim, de ser inconsequente, sonhador. Não desejo viver de sonhos, de ilusões e é tudo o que você pode me oferecer agora, né?
Então, aconteceu de novo. Só que dessa vez é tão diferente, ele tá tão dentro de mim. Que não sai dos meus pensamentos, que ideia foi essa de oferecer morada a ele? Agora como eu faço para pedir que ele vá embora? Não, eu não posso. Como poderei viver sem aquele que arranca suspiros, poemas e sonhos maravilhosos? É, não dá pra dizer como me sinto. A única coisa que tenho a dizer, coração. É que você está muito encrencado.

segunda-feira, agosto 10, 2015

Sagrados sejam...

Foto: Sandra Costa.

Andei por tanto tempo procurando encontrar o amor e esbarrando com você percebi que a caminhada não foi em vão. Você que me desenha estrelas nos olhos e me permite conhecer mil universos em teus lábios. Você que tece em mim emoções indecifráveis e pensamentos absurdos. Às vezes me pego pensando que todas as cicatrizes, todas as quedas e tantas lágrimas valeram a pena porque todas me conduziram até você. A gente entende o real significado da palavra espera e até agradece por ter topado com tantos transtornos. Eu ficaria a deriva por meses no mar, atravessaria o deserto e enfrentaria o frio glacial do Pólo Norte se ao final os teus braços estivessem me esperando. Sagrados sejam os meus passos e feliz seja a nossa entrega diária. 

sábado, agosto 08, 2015

Como eu deveria.


Eu estive preocupada demais em alinhar o nosso amor aos meus desejos, a adequar nossa vida ao roteiro que havia escrito na adolescência e deixei de te amar como eu deveria. Inseri você em um contexto completamente errado de amor ideal, descobrindo - da pior forma - que ao amor é necessário liberdade, dar asas, abrir as gaiolas. Hoje eu abro a porta da casa esperando você fazer suas malas, na esperança que você desista, na certeza de que em breve vislumbrarei sua silhueta ao longe. Se o relógio parasse agora, se meu café não estivesse tão fraco, se meus poemas ainda rimassem, será que a vida voltaria ao eixo?