sábado, agosto 08, 2015

Como eu deveria.


Eu estive preocupada demais em alinhar o nosso amor aos meus desejos, a adequar nossa vida ao roteiro que havia escrito na adolescência e deixei de te amar como eu deveria. Inseri você em um contexto completamente errado de amor ideal, descobrindo - da pior forma - que ao amor é necessário liberdade, dar asas, abrir as gaiolas. Hoje eu abro a porta da casa esperando você fazer suas malas, na esperança que você desista, na certeza de que em breve vislumbrarei sua silhueta ao longe. Se o relógio parasse agora, se meu café não estivesse tão fraco, se meus poemas ainda rimassem, será que a vida voltaria ao eixo? 


sexta-feira, julho 31, 2015

Em tempos assim.


Você me beija os olhos e me abraça como se a qualquer momento eu pudesse sumir dali. E eu vou compreendendo o que é amar através dos teus gestos despretensiosos e pequenos. Pelo modo em que você dedilha suas canções preferidas em minhas costelas. Não conheço muito bem essa equação que se tornou o amor e venho brincando, ultimamente, de esconde-esconde com todas essas incógnitas que são próprias dele.

Sei também que meu humor é de potencializar um bilhão de vezes mais o azedume de um limão, que as minhas palavras saem explosivas como aqueles vulcões em erupção do filme o Inferno de Dante, que eu sou a expressão numérica mais difícil que a vida te deu para resolver e ainda assim você se mantém ali, vivo e cheio de entusiamo.

Eu sei, meu amor, que as divergências são tantas e que os caminhos insistem em querer se descruzar. Que minhas manias são péssimas, minhas vontades são - muitas vezes -, apenas birras de criança. A gente sabe que a convivência é árdua, mas também sabemos que o amor é muito. E tanto. Às vezes me vejo pequeno e indefesa, outras vezes grande e monstruosa. Sei que você aprendeu a ler as fases da lua para me compreender e sei que todos os luares são nossos desde então.

Em tempos assim eu me recolho.
Em tempos assim eu me mostro (te mostro tua).

quarta-feira, julho 29, 2015

Seja livre.



Eu tive meu coração despedaçado inúmeras vezes ao longo dos anos. Algumas dores dilaceravam o meu coração e eu achava que não suportaria, mas a vida me provou através dessas decepções o quanto sou forte. Nós achamos que nossa dor é única, que ela é maior que qualquer outra e que não venceremos. Mas não, não é. Eu já chorei diversas vezes por amores que eu acreditava serem eternos, depositei todas as minhas fichas em relações falidas e sem perspectiva. Eu chorei um mar inteiro por pessoas que sequer se comoveriam por saber que eu estava triste.

E o que eu aprendi com isso tudo? Que ninguém irá te amar de verdade se você não se amar primeiro. Que o amor a gente não mendiga, não implora a ninguém, porque a essência do amor é a sua gratuidade. Aprendi que o amor tem que nascer de dentro para fora e que a partir do momento que eu me amar, outras pessoas verão o amor em mim.

É uma tarefa árdua, mas é necessário que nós coloquemos limites sobre o poder que o outro tem sobre nós. Todas as vezes que eu falo que temos que viver um amor livre é porque me recordo que já vivi em uma prisão. Não há nada pior que viver um relacionamento onde a desconfiança, a insegurança e o medo são os protagonistas. Todas as vezes que falo sobre isso é porque tenho propriedade, porque lembro que consenti ao outro a me aprisionar.

Eu quero dizer a você, meu leitor, meu amigo, que eu não sou tão resolvida quanto vocês pensam, que eu tenho sim os meus problemas e luto com alguns 'demônios'. Eu choro como qualquer outra pessoa, eu brigo com meu namorado, eu bato boca, mas algo que eu tenho comigo agora é que eu sou autora da minha própria vida, o roteiro da minha vida é meu. E ser dona do roteiro não quer dizer que eu vou seguir a risca tudo o que escrevi, quer dizer que eu escolho os personagens que se manterão em minha história.

Ninguém é obrigado a viver com quem agride, destrói e violenta o outro. E isso não se restringe a agressão física, mas a psicológica. Nós não podemos viver um amor de aparência, um relacionamento fictício, porque achamos que nunca encontraremos ninguém. Sempre há alguém. E mesmo que não haja é melhor viver bem com sua companhia a viver solitária ao lado de outra pessoa.

quarta-feira, julho 15, 2015

Quando um amor se vai.

— Vai passar. É só questão de tempo — disse com o coração.
Todas as vezes que alguém decide partir de nossas vidas nos afundamos em um sentimento de derrota. Tentamos descobrir o porquê da decisão do outro e, a maioria das vezes, vestimos toda  a culpa e achamos que o problema está em nós. Nem sempre está. 

Quando meu antigo relacionamento terminou eu tentei de todas as formas compreender o motivo. E embora todos me dissessem que eu não tinha culpa de nada, eu insistia em procurar razões dentro de minhas atitudes e achava que até um 'bom dia' poderia ter sido a razão. Ao longo dos anos, depois de alguns relacionamentos, nós vamos compreendendo que cada um tem uma maneira de observar a vida. E ela nem sempre condiz com aquilo que buscamos.

Todo término é doloroso. Ninguém começa namorar com alguém pensando em terminar amanhã — conheci uma exceção, mas não vem ao caso —, mas a vida tende a nos pregar várias peças. Quando eu chorei o fim do meu namoro sentia uma dor inexplicável dentro de mim. Não como se o mundo fosse acabar, mas uma dor que me dilacerava por dentro. Talvez alguns digam que foi exagero, mas eu lembro como me sentia e o quanto me doía. Nós não estamos preparados para o fim. 

O sentimento de negação esteve comigo por um longo período. E muitos amigos me disseram: "vai passar. É só questão de tempo". Hoje eu compreendo o quão verdadeira é esta frase. Nenhuma dor é eterna e muitas vezes não compreendemos o presente que a vida nos dá naquele momento. Todo fim traz uma lição e nos deixa mais preparados e reflexivos em relação a vida.

Hoje eu percebo através dos meus dias passados e dos atuais o quanto fui abençoada com aquele fim. Ninguém merece viver um relacionamento de aparência, viver subjugado, aceitar traições e viver de mentiras. A nós é dado o livre arbítrio, embora não compreendamos o real significado disso. Deixar ir embora, muitas vezes, é necessário não somente para o nosso crescimento, mas para a nossa saúde física e mental.

Ouvi muito dos meus amigos — até hoje eu ouço —, que Deus me deu um livramento. Em termos eu realmente concordo. Entretanto, prefiro acreditar que a vida me preparou para outra pessoa, me fez mais madura para compreender e ser compreendida. Prefiro crer que o destino apenas me moldou para poder receber aquele que me fará feliz para sempre.


terça-feira, junho 23, 2015

O que sabemos sobre o amor.

Dizer que os opostos se atraem é aceitável na teoria, mas tente levar isso à prática da vida. O amor nem sempre resiste às divergências que nascem na rotina, no dia-a-dia. Eu posso dizer que acho linda a forma que ele leva a vida, sem preocupações e ambições, mas da mesma forma poderei recriminá-lo por esses mesmos motivos. Ou, quem sabe, não dar tanta importância à falta de objetivos, ao fato dele apenas querer construir uma casinha de sapé, ter seus filhos e envelhecer ali.

O problema é que o amor não resiste a, apenas, teorias. É na prática que descobrimos o quanto podemos conviver com, o que julgamos, defeitos do outro. Ouvi dizer que não amamos os diplomas, as conquistas, entre outras coisas, das pessoas. Mas até onde o amor sobrevive à falta de perspectivas, o olhar morto para o que a vida ainda pode oferecer.

Ao longo dos anos escrevendo sobre o amor, pude notar que ele é variável. Antes nós desejávamos apenas alguém que retribuísse o amor que oferecemos, hoje não nos satisfazemos “apenas” com demonstrações. A ficha cai e logo percebemos que amar é coisa para gente grande. Entendemos, ao pé da letra, o ditado que diz que amor não sustenta barriga.

Há uma linha tênue que separa os amores de contos de fadas dos amores que vivemos na vida real.

segunda-feira, maio 25, 2015

Príncipes Encantados.


Cresci, assim como a maioria das meninas, desejando encontrar um príncipe encantado. E diversas vezes me deparei sonhando com o dia em que encontraria um homem dotado de uma perfeição digna de contos de fadas. Ao longo dos anos percebi que a vida não é narrada a partir de um “era uma vez”, onde você tem a certeza que a história será finalizada em “e foram felizes para sempre”. Infelizmente o roteiro de nossas vidas não fora idealizado pela Disney e, de certo, ainda colaremos em nosso álbum da vida muitas figurinhas de arrependimentos, decepções e desencontros.

Acontece que estes últimos tempos tenho estado bastante reflexiva quanto a definição de homem ideal. E, para minha surpresa ele passa longe dos conceitos que vim cultivando desde a tenra infância. Os macaquinhos do sótão surpreenderam-se ao constatar que na verdade eu desejo um homem simples, humano e com suas imperfeições. É estranho para mim – bem confesso – admitir que estive equivocada por tanto tempo e que eu não serei resgatada de uma torre.

Quimeras à parte. Pude notar que aos poucos, mesmo sem perceber, eu vinha podando o meu destino. Como uma árvore que tinha seus galhos cortados nas vésperas de frutificar. Os meus frutos foram, diversas vezes, sacrificados pelo medo de não ter meu destino exatamente igual ao que venho planejando desde minha meninice.

Eu percebi observando alguns exemplos de casais que vivem ao meu redor, através de testemunhos de vida, que histórias bonitas não se restringem às fábulas. Observei, ainda, que é possível amar alguém em suas limitações, em seus medos e imperfeições. E que na verdade eu já venho amando há algum tempo alguém assim. E absorta fiquei ao constatar que a definição de príncipe encantado, ou melhor, sua personificação, sempre estivera diante dos meus olhos.

Príncipes encantados não necessitam de cavalos brancos, moças. E a única carruagem que precisamos adentrar se chama coração. Histórias com finais felizes começam assim. Ouvi falar...