quinta-feira, maio 13, 2010
Amigos (...)
Sabe, bonito, eu entrego as pontas. Desisto. Sabe que escrever isso é tão dolorido, tal qual uma bofetada, que há dias venho pensando em como eu me sinto, e como eu me sentiria ao tentar arrancar esse sentimento que está enraizado aqui dentro. Mas, sabe, é tão necessário. Porque o meu pensamento fica sintonizado em você 24 horas e tudo o que eu penso e faço você está, indiretamente ligado. Eu só penso, respiro e vivo você e se eu soubesse que haveria possibilidades eu continuaria. Mas hoje, sabe...eu vejo que não.
E para preservar o que eu tenho, ou imagino que tenho, eu paro aqui. Sem atravessar a ponte, ou melhor, sem chegar ao final dela. Porque há tempos eu fiquei parada lá, chegando, chegando. E escrever isso me dói tão profundamente que eu paro aqui.
É amigos. Só.
segunda-feira, maio 03, 2010
quinta-feira, abril 15, 2010
Aniversário.
Com uma vertiginosa sacudida, o sonho abruptamente se transformou em um pesadelo.
Não havia nenhuma avó. Aquela era eu. Era minha imagem refletida em um espelho. Era eu, velha, enrugada e acabada.
Edward continuava ao meu lado sem se refletir no espelho, insuportavelmente encantador em seus eternos dezessete anos. Ele apertou seus lábios frios e perfeitos contra minha decrépita bochecha.
- Feliz aniversário. - ele sussurrou.
Acordei assustada – meus olhos a ponto de ficarem fora de órbita – e ofegante. Uma
escura luz cinza, a familiar luz de uma manhã nublada, tomou o lugar do ofuscante sol
de meu sonho.
Só um sonho, eu disse a mim mesma. Foi só um sonho.
quinta-feira, abril 08, 2010
24 de março
Não se assuste. Respire. Tenho tentando em demasia afugentar lembranças, mas no fim é sempre seu nome que vem à mente. E hoje, o telefone me foi saída, depois de tanto ensaiar em frente espelho. Eu tinha que ligar e dizer, por fim, você é a razão da minha vida. E isso não é uma declaração de amor, constatei. É apenas algo que eu deveria ter aceitado há algum tempo, mas por alguma razão me esquivei. Eu queria mesmo ser o eterno em sua vida, aquilo que você mais adora, um objeto porque não. Mas, eu entendi o nosso lance e ele sempre foi um tanto unilateral e tantas vezes você quis me mostar isso. Perdoa. Sei que estou dando voltas e você deseja que esta conversa acabe logo, é claro. A proposta que tenho para nós é: "me deixa ser de outro alguém?" Soou mais como pedido, né? Mas é que não poderia ser feito de outra forma. É que eu sinto tão enraizado em você, que seria injusto não te pedir permissão. Vai ser bom para nós dois. Você não vai precisar se preocupar onde pisa comigo, poderá falar dos teus romances abertamente e eu farei o mesmo. Vai ser estranho no começo, mas eu precisava dizer.
Por favor não respire dessa forma, os teus soluços me magoam. É, existe outra pessoa. Mas ela ainda está nascendo timidamente em mim, talvez essa semente não cresça e morra pelo caminho. Só que eu precisava me dar, tentar e buscar um jeito de crescer em alguém também. Ela me viu colecionando lágrimas no bar e me ofereceu um drinque. Aceitei e desde então somos. Assim como foi no começo, somos descoberta um para o outro. Clarisse não chore. Você nunca me amou mesmo, não como eu gostaria. Senti que a nossa química era bem mais de pele, física do que outra coisa e eu desejo que alguém olhe para dentro de mim, a minha alma, e me ame pelo que eu sou. Vou dar uma chance a ela, mesmo que no fim da noite o teu nome volte aos meus lábios.
É isso.
(...) e do outro lado da linha como havia descrito, ela rabiscava na agenda " Grande amor, meu Matheus". Mas agora o telefone mudo não lhe dizia mais nada. Lembrou-se de Caio F. que dizia: "Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para entendê-las."
E acabou ali entre duas avenidas, dois telefones mudos.
terça-feira, abril 06, 2010
Éramos três.
Moço,
Lembro-te aos doze com o peito nu e uma bermuda vermelha, não tinhas preparo algum para a vida. E ainda assim carregava nos lábios os sorriso mais sincero que os meus olhos já tiveram o prazer de ver. Teus assovios muitos que me chamavam para papear em frente ao portão até altas horas e o teu desespero ao ver meu pai se aproximar. Tinhas medo.
Gosto de imaginar-te naquele tempo em que éramos os melhores e, talvez, únicos amigos. Essas lembranças me vieram ontem à noite rasgar-me o peito, porque sei que não ouvirei novamente a tua voz de menino, os teus assovios finos e tudo aquilo que lembrava nossa tenra infância. Gosto de imaginar o jogo de dama que era sagrado todos os dias às dezoito horas em frente minha casa, os moleques que juntavam-se para brincar de jogo da verdade. Essas meninices que vivemos juntos, entendes? O nosso beijo impulsivo que nos trouxe várias gargalhadas, nunca coube a nós outro sentimento senão o amor de amigo. E o teu ombro que me era refúgio todas as vezes que eu brigava com ele.
E sabe, Du, saber que você se foi assim tão cruelmente, me fez lembrar o Rafael também. Nós que éramos um tripé, eu que me sentia a D. Flor, não por ter dois maridos, mas por ter dois amigos que me eram fiéis e que me amavam. Eu não entendo como as pessoas podem ser tão impiedosas, destruir lares, famílias e amizades, assim como fizeram com nosso Rafa há 10 anos e agora contigo. Me dá um nó na garganta pensar que não seremos mais os mesmos. Que eu fiquei sozinha, sem os dois. E lembra quando cantávamos os três em frente a minha casa? Então. Na mente restou apenas um pouco do que fomos, porque é doloroso lembrar.
Sabe, a ficha da tua mãe caiu ontem, e incrivelmente a minha também. E só Deus sabe como o coração dela está. A tua namorada, Du...ela não aguentou. Não sei o que passou pela cabeça dela, mas ela não resistiu e quis te encontrar. É, ela também se foi. E eu penso sobre essas coisas que acontecem, esse sofrimento todo me faz pensar: "a gente já nasce morrendo?"
Saudades Du.
(...) da gente.
Vai com os anjos! vai em paz.
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez.