Eu sempre tive a necessidade de ter tudo sob controle. Nunca gostei de andar sem destino e sempre torço o nariz para convites inesperados. Eu gosto de ordem, de saber por onde os meus pés andarão e gosto da segurança de saber que a ponte que atravesso é firme. Na adolescência sabia o que queria cursar, sabia que iria formar aos vinte um anos e em seguida buscaria outras titulações acadêmicas. Formei, pós-graduei e então parei, porque não achava estar pronta para seguir e outras prioridades nasceram. Escrever era o que me dava prazer, então passei a me dedicar à escrita e ‘otras cositas más’.

Quando adolescente tinha em mente que aos vinte e poucos já teria formado uma família. Depois de três décadas e meia a cabeça mudou tanto. Ainda tenho o sonho de formar, quem sabe, uma família de comercial de margarina. Contudo, isso não é prioridade e até o momento não me sinto (ou sentia) pronta para embarcar nessa aventura. Com o tempo eu passei a entender que não dá para estipular metas para coisas que fogem ao nosso alcance. Não dá para programar no reloginho quando você irá esbarrar com o amor da sua vida por aí. Há coisas que simplesmente acontecem.

Nos últimos tempos tenho procurado a olhar menos para a ampulheta da minha vida. Visto que muitas vezes ela me condena, me aponta àquilo que ainda não conquistei. Tenho me dado ao luxo de andar com a cabeça nas nuvens e a plantar sonhos em meu coração. Toda hora é hora para quem tem sangue quente e pulsante nas veias. Ter tudo cronometrado é bom quando isso não se torna uma sentença. Nossos planos devem nos direcionar ao êxito e não nos indicar os nossos fracassos. Planeje a sua vida, seus passos, mas não fique refém disso. A vida nem sempre segue em linha reta.