A teoria é sempre muito fácil, mas a prática do amor-próprio é dolorosa. Amar-se demanda de nós autoconhecimento e visitar o nosso interior, esbarrar em cicatrizes e feridas ainda abertas, exige de nós autocompaixão. O problema é que nós aprendemos a perdoar os outros, a cuidar dos outros e dificilmente somos gentis com nós mesmos.

A prática do amor-próprio é um processo contínuo. Infelizmente muitos de nós não aprendemos a nos amar. Crescemos servindo aos desejos alheios, nos dedicando à felicidade do outro. Quantas vezes nós já ouvimos ou até mesmo dissemos que a felicidade do outro era a nossa? Precisamos aprender a separar a vida de quem amamos da nossa. Ver quem amamos felizes não é errado, obviamente, mas anular as nossas vontades em prol disso é. O verdadeiro amor não nos impõe tantos sacrifícios.

A prática do amor-próprio não se trata de estar sempre armada, em posição de ataque, para bater de frente com o outro. Trata-se de olhar para seu interior e conhecer seus medos, seus sonhos, cada pedacinho seu e colocar limites em suas relações. Nós temos o poder de dar e negar acesso às nossas vidas e ao fazer essa triagem conseguimos manter ao nosso redor quem, de fato, deve caminhar ao nosso lado. Amar a si mesmo exige de nós enxergarmos quem somos, onde estamos e se esse lugar é bom o bastante para nos abrigar.