Amar é uma tarefa árdua, sobretudo quando você precisa se amar. Todas as frases motivacionais e frases de efeito caem por terra, quando precisamos colocar em prática o exercício do amor-próprio. Há algum tempo lembro-me de ter lido a seguinte frase: “de todos os amores, o próprio”. Uma frase que muitos tatuam no corpo, mas que poucos compreendem de fato. Eu cresci generosa demais com os outros e estúpida demais comigo. De alguma maneira aprendi que deveria doar aos outros até minha última gota de suor, de sangue e sempre me deixar para depois.

Reconhecer isso não torna mais fácil mudar a rota e contornar a situação. Quisera eu poder desprogramar todos os anos de negligência que tive comigo mesma. O problema é que nós não temos nenhum botão que dê para resetar nossas emoções. Precisamos aprender a lidar com o nosso eu interior e com os “demônios” que há em nós. E cá entre nós, como é difícil olhar para dentro de si e se reconhecer vulnerável. Entretanto, assumi a responsabilidade de me encontrar e tenho caminhado em direção a isso. Vez ou outra tenho que recalcular a rota e seguir novamente, do início, a caminhada.

Acontece, sabe.

O autoamor não foi ensinado a nós, por isso que muitas vezes deixamos as nossas vontades de lado, abrimos mão de nossos sonhos, para atender expectativas alheias. A gente acha que amar é sobre permissão o tempo inteiro, quando na verdade amar também é sobre impor limites. Não apenas aos outros, mas a si mesmo. Amar é sobre como você se enxerga para aprender a perceber o outro. Não ama quem não aprendeu a se amar primeiro. 

Fotografia de Maksim Goncharenok