Um dia me disseram que os nossos vícios podiam nos destruir. À época não entendia bem. Fumava pouco, bebia muito menos e nada parecia consumir meus dias e vontades. Até que você se foi e passei a te visitar em silêncio, em segredo. Era muito difícil dizer não às minhas vontades, à saudade latente que pulsava em meu peito e as suas investidas que sempre vinham acompanhadas de esperança.

Sei que deveria ter me curado. Afinal, já faz tanto tempo que deixamos de ser um do outro. Só que ainda te visito e percebo que a porta sempre está aberta. Queria não pensar em você, mas já não mando em meus pensamentos. Minha mente é um grande hospício e todos os pacientes gritam seu nome.

Tenho fumado cigarros demais. Meus cinzeiros estão transbordando. Acho que vício é isso: a gente vai submergindo em algo e de repente não consegue mais sair. Tem sido assim com os cigarros e com os meus pensamentos. O engraçado é que todos me alertam. Alguns até disseram: agora é a sua vez de viver. Não deixe o seu passado sabotar o seu futuro.

Acho que no fundo todos têm razão. Eu que quis ver reticências onde havia um ponto final. Já não somos há tanto tempo e talvez esse meu vício, isso que vez ou outra me leva até você, é só o meu ego me afrontando. Dizendo que o fim não deveria ter partido de você.