Algumas lembranças adoçam a nossa vida. Outras dão sentido à vida. Somos um apanhado de memórias e algumas delas mais tocantes que outras. KLB me traz à memória quem éramos. A nossa inocência quase que tangível. Lembro-me do beijo roubado e cheio de carinho. Uma cerca e nós de cada lado. Tínhamos medo de sermos pegos. Ninguém soube.

No dia seguinte recebi uma cartinha dobradinha. Você colocou na palma da minha mão e disse: leia no caminho. Coloquei-a dentro da blusa, escondida no sutiã e fiquei esperando a próxima parada. Ouvíamos o cd do KLB e eu só conseguia lembrar não somente do beijo, mas de como a lua estava bonita. E de todas as vezes que ela nos iluminou.

Tantas lembranças carregamos um do outro. O pique-esconde e pique-cola, brincar de jogar bola ou até mesmo andar descalço. Lembro que depois de um tempo não queria mais aparecer suja na sua frente (já não queria mais brincar com os outros). Acho que já te amava ali, na minha inocência e pequenice. Um amor puro e ingênuo. E agora ouvindo, as mesmas canções que espantavam as borboletas do estômago à época, queria que soubesse que andei muito por aí e até achei amar outras pessoas, mas a verdade é que sempre foi você.

Desde o primeiro esconde-esconde até ter você fechando a minha mão para guardar sua carta. Queria ter voltado no ano seguinte, mas a vida não quis assim. Ela quis o hoje, sobre condições não muito satisfatórias. Independente de qualquer coisa quero que saiba que para caminhar na vida eu escolheria mil vezes você. O menino que me entregou uma cartinha escondido dos pais, que me roubou beijos e que se sujava de terra comigo. Escolheria sempre o seu coração. Porque é como diz a minha canção preferida: eu acredito na igreja do seu coração.

Sim.
Eu acredito em você.
E acredito em um amanhã ao seu lado.