Amores não é controle



Amores não resistem a insegurança, não sobrevivem em meio ao ciúme doentio e não toleram neurose desmedida. Há quem utilize o ciúme excessivo como forma de justificar seu amor. Eu, por minha vez, discordo que o ele esteja intrínseco ao amor. O amor não pode ser controlado. Ele deve ser livre. Desprendido de qualquer tipo de amarras. Como pode um pássaro ser feliz engaiolado? Como pode alguém ser feliz tendo que medir cada passo?

Discordando de várias opiniões eu digo: se alguém gostar de você de verdade, se te amar, ela não enciumará daquele seu amigo antigo e não questionará sobre os novos. Ela não os terá como inimigos, mas potenciais amigos. Ela não implicará com as pessoas que comentam e curtem as suas fotos. Ela não irá vigiar todos os teus passos ou os teus rastros cibernéticos. Ela não irá surtar porque você demorou alguns minutos para visualizar a mensagem ou porque você demorou demais na rua.

Amar é oferecer ao outro um voto de confiança. É saber dar espaço quando necessário. Afinal, todos nós temos nossos dias ruins e ninguém é obrigado a estar bem em tempo integral. É saber dialogar quando há algo nos incomodando, e não alimentar incertezas em nós. Para toda dúvida há uma resposta, basta que façamos a pergunta. Amar é compreender que temos ideais, perspectivas e sonhos diferentes do outro. E saber, mesmo diante de conflitos de interesses, encontrar um meio termo que agrade aos dois.

Há quem romantize brigas dizendo que é amor e, que justifique descontrole com cuidado. Que queira enfiar-nos goela abaixo que isso é normal, que é aceitável, que toda pessoa que ama se comporta assim. Amor não é controle, não somos marionetes, e, dessa forma, não podemos deixar que o outro seja nosso ventríloquo. Se teu relacionamento é baseado em desconfiança, brigas violentas, pressão psicológica, ele é tudo, menos saudável. Amores sadios é o que buscamos e, como diz o velho ditado: antes só que mal (amado) acompanhado.

Fotografia: Maud Chalard.


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