Tomara que a gente se esbarre



Tomara que a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem. Que você me olhe nos olhos e me diga uma porção de palavras indizíveis, que haja fogo em tuas mãos e que tua língua me descubra. Tomara que o tempo seja generoso e me dê a eternidade em teus lábios, o universo em teus olhos e o infinito em tuas pernas. Quisera que nossas vidas se fundam, se unam, como nossos corpos cheios de desejos e felicidades muitas. Tomara que você me arranque todos os meus medos e me faça compreender que é preciso coragem para se continuar a viver.

Tomara que eu consiga me despir perto de você, de todas as armaduras que me fazem fugir. Que eu deixe lado os medos e todas as infinitas interrogações. Tomara que você peça, daquele jeitinho, para eu ficar e eu, num surto de sinceridade e vontades, fique. E que a gente fique lado a lado, todo tempo que nos for possível.

Tomara que a gente se perca em alguma viela. E, que descubramos cada canto, cada parede, em nosso apertar-se e encontrar-se. Que a gente se tenha, se queira, se entenda. E que as horas sejam lentas, macias, a caminhar-se para a nossa despedida. Tomara que a despedida seja doce, e a saudade não dilarece. Tomara que a saudade seja breve. Tomara que, logo, a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem...

Um texto em parceria com a escritora Mafê Probst.
Fotografia: Maud Chalard.

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