"Lapida-me a pedra bruta, insulta, assalta-me os textos, os traços."
O Teatro Mágico


Absorta.
Esse adjetivo vestiu-me perfeitamente aquela manhã. O visor brilhava e o seu nome, há muito esquecido, arrancou-me suspiros e além de despertar uma dúvida: atendo ou não? E então, depois de chamar - alguns breves segundos -, senti a necessidade "curiosística" de atender. E então minha voz soou mansa, quase inaudível, e eu não sei ao certo o motivo. Acredito que um misto de espanto, despero, saudade e porque não dizer: amor.


É que você me bagunça. E não é apenas uma frase solta qualquer. É como eu realmente me sinto quando você, docemente, pronuncia o meu nome. Acredito que se onze anos não foram capazes de acalmar essa chama que arde cá dentro, outros mais não serão suficientes. É que você, beibe, consegue causar em mim todas as sensações inimagináveis. É como se você soubesse tocar meu âmago. Ou como se você percebesse: ei, tô muito ausente. o coração dela vai me esquecer. E então, eu imagino que você deve ter um relógio que além de cronometrar esse tempo, te aviso quando é hora de aparecer.


E esses dias, para ser mais exata, na noite seguinte a sua ligação estava lendo e de repente meus olhos pousaram sobre a seguinte frase: "eu amo você, mas não gosto mais de você." Então eu imaginei redigindo aquilo para você. E embora eu acredite, que o tempo tenha calcificado em meu coração o amor por você, a minha cabeça e todo o resto do meu corpo prova o contrário. Porque mesmo sem querer: você me bagunça por inteira.