Ela tem uma, hedionda, mania de embonitar as coisas. Desde sempre. Deve ter adquirido ainda na infância, quando sua prima lia contos sobre príncipes que escalavam torres e enfrentavam dragões e bruxas horrendas para salvar suas princesas. Se pudesse voltar no tempo, talvez, escolheria ouvir histórias de terror ou a narração de um jogo de futebol qualquer. Só que ela perderia sua essência, seu encanto. Não seria a mesma.


E então, ela se pergunta: por que mudar para se moldar a alguém? Ela não poderia simplesmente continuar escrevendo poesias, acreditar que o amor existe e que ele está próximo, contar suas pidas - mesmo não sendo boa nisso -, falar pelos cotovelos e mostrar que a sinceridade e a autenticidade são virtudes que as encanta. Bah! Acontece que a vida seria bem mais fácil se ela fosse controlada, falasse não dúvidas, se não tivesse ímpetos desesperados de enviar sms para ele às 03 da madrugada. Se ao menos conseguisse dizer:"cara, tô feliz pra caralho e tu não me faz falta." Mas daí, se conseguisse, não seria ela.


E em meio a essa a confusão, ela lista duas teorias: uma estapafúrdia e outra até considerável. A primeira seria um homem com super poderes, assim com identidade secreta e tudo. Aquela história que conhecemos bem, aranhas radiotivas, kriptonita. E então, ela se imagina como a mocinha que não pode ser vista, aquela super-protegida, afinal os arqui-inimigos não podem saber de sua exista. Okay, essa é insana. Mas daí ela pensa na segunda que é o modo como ela reage com relacionamentos, não sabendo distinguir o que é permitido e do que não é, masculinizou-se com todas aquelas conversas que o primo ensinara, que não se deve fazer isso, não deve fazer aquilo. Ou talvez, a moça apenas não tenha encontrado alguém que descobrisse, enxergasse, ao fundo o que há em seu coração.