Que graça há sentir?



Quando crianças, somos obrigados a fazer a lição de casa, justamente na hora do nosso desenho predileto. E então, inventamos uma dor de barriga, pintamos a cara com pintinhas vermelhas e simulamos uma catapora ou qualquer outra coisa que possa nos livrar desse martírio. Não gostamos de estudar, porque nos é imposto. Uma obrigação.

No ensino médio ninguém quer ler o livro completo de Quincas Borbas para a avaliação bimestral, lê-se apenas o início alguns capítulos do meio e o final. E depois de algum tempo a mesma pessoa se pega devorando não só esse livro, mas toda a literatura ‘Machadiana’. Só que quando necessário ele não leu, por quê? Era uma obrigação.

Eu, por exemplo, não sou muito fã de fazer provas com redação e algumas pessoas se espantam e dizem: logo você que gosta tanto de escrever. E elas, sem saber, sabem o porquê, eu gosto de escrever o que me dá prazer. Não o que me é obrigado. Eu tenho um bloqueio incrível, é como se todas as letrinhas que vivem dançando na minha mente resolvessem brincar de esconde-esconde e muitas vezes, pasmem, não sai nem as linhas mínimas necessárias.

E qual o motivo de toda essa falácia? Eu não saberia viver sendo obrigada a vivenciar qualquer mentira, seja dentro da minha vida profissional como na amorosa. Acredito que sou meio topetuda em relação a esse assunto, o que não me move, não me faz feliz eu simplesmente aborto da minha vida. Eu não saberia viver de aparências e todas aquelas situações que somente em novelas mexicanas fazem sentido, entende? Acredito que o amor nos cerca a todo o momento, mas nem sempre o olhamos frente a frente. Eu não saberia tão conformado quanto o Leonardo ao cantar: mas tenho que aceitar que amores vêm e vão. Porque no fundo eu sei que não teria que dar adeus a quem eu amo, ainda mais por uma obrigação.

Mas, de qualquer forma, as pessoas são feitas de ideais e sentimentos diferentes. É como canta o, meu baiano, Caetano: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. E eu acrescentaria também que cada um sabe o que perde e o que ganha e às vezes o que se perde sobressai a qualquer prêmio. Por isso que eu sempre entendo qualquer situação, mesmo não entendendo.





Não posso obrigar a escolher a felicidade;
Não posso obrigar a ter coragem;
Não posso obrigar a assumir o que sente;
Se verdadeiramente diz sentir.

Não posso obrigar a sentir a liberdade;
Não quero que me prive da felicidade;
Não quero que me obrigue a ser igual a você;
Não quero ser como você.

Quero mais é viver um grande amor;
Desimpedido e livre;
Para optar pela felicidade.

Marcela Neiva

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3 comentários

  1. Incrível. Como eu sempre disse. Você possui um dom e gosto de vir aqui sorver as palavras que você lança na Pauta Pâmela, porque você consegue nos tocar quando se escorre livremente.


    Beijos

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