Você imagina que encontrará o seu amor em uma situação bem hollywoodiana e devaneia. Imagina-se em um comercial de margarina com uma família perfeita. Só que com o tempo você vê que isso é quase impossível, que os amores de cinema – principalmente os americanos – são tão açucarados porque de fato eles não têm sentimento. Eles inventam situações que desejariam viver, mas que não conseguem por ter um coração gelado, petrificado. Sabe quando um poeta escreve algo que consegue te arrancar um suspiro e que você se imagina em tudo, em cada detalhe? Então. Isso é só utopia.

Porque na realidade você encontrará o seu amor em uma rua qualquer, em uma situação bem esdrúxula e talvez ele nem seja teu por completo. Ele dirá que te ama e te encherá de palavras doces que mataria até um diabético e você ficará deslumbrada com isso, sentirá que não tem controle sobre a sua vida, imaginará que a qualquer momento sairá flutuando por aí e então, cedo ou tarde, você verá que dormir de madrugada conversando com a pessoa foi tempo perdido, que imaginar uma vida para vocês dois terá sido em vão. Porque simplesmente o cara que você gosta não é aquele príncipe do filme que largaria tudo para ficar com você. Ele vive de talvez e você não pode esperar.

E você se sentirá uma pessoa insensível por não conseguir entender os problemas do outro. Por ficar de saco cheio de ouvir: eu queria e não posso. Porque você não tem obrigações com ninguém, porque você sempre buscou os seus sonhos sem medo de ser feliz, porque você sempre teve coragem de arriscar e pensa que as pessoas deveriam pensar e agir da mesma forma. E você se sentirá um monstro por saber que a sua consciência não dói quando você pede a pessoa que suma da sua vida, por você despejar todas as fraquezas do outro sem um pingo de ressentimento.
Você saberá tudo isso, mas está tão cansada de falácias, que nem se importa mais se a relação de vocês acabarem. Se é que algo que nem começou pode acabar.