Último sonho.

10:27

"Faz um bom tempo que a vontade de escrever e de poetizar se resume a você."
Caio F.

Tive vontade de esmagá-lo contra a parede. Assim, com violência, como quem deseja ardentemente encurralar alguém. Efêmero. Quis apenas alguns centrímentos distante de tua boca, o suficiente para que sentisse o ar quente umedecendo os meus lábios. Embora as minhas pernas estivessem trêmulas cobiçava o teu gosto. E olhando os teus olhos confusos esboçei um sorriso de canto, convidativo. E enquanto os meus olhos, minhas mãos e todo o meu corpo te convidava a morar em mim, sentia minha cabeça pensar e pesar tudo o que viria depois: o abandono, o desespero, a saudade e, inevitavelmente, a dor. Esta que amarga, que me enlouquece e me prova cada vez mais que nada tenho de ti. Nada. Nenhuma palavra, um gesto -, apenas as minhas alucinações. Afastei-me e chorei.

Por alguns poucos minutos de coragem eu estive preparada para o que viesse. Para o não do outro dia, a indiferença e o telefone que continuaria mudo lá. Eu estava preparada para qualquer coisa, um pouco porque não aguento mais esperar que você me note ou deseje estar próximo a mim. Desejava que os meus olhos não me traissem, não revelassem que eu morro um pouquinho a cada dia que se passa, porque eu me sinto desnecessária em tua vida. Como se nunca tivesse existido para você e sofro. E estes meus sonhos tornaram-se tão constantes que desejo que à noite se aproxime logo para te encontrar.

Desejava ser urgente para ti, assim como tu és para mim. Mas sei que não sou e por saber que não há brechas, nunca houve margem e não possuo sequer o direito de reivindicar alguma coisa me isolo. E assim, submissa a ti, te desenho perfeitamente do modo que gostaria que fôssemos um ao outro, sem reservas, apenas sendo. E meu coração tão fatigado já não sabe qual caminho deve seguir, porque sinceramente, eu já não espero nada de você. Desejo apenas arrancar você daqui de dentro. E isso, nada mais é, do que a pura verdade.

Olhe. Se eu pudesse te dizer tudo o que penso em relação a você, a nós, diria que os dias tornaram-se azuis desde que te conheci. Que respirar tornou-se mais fácil e que amar agora me é macio. Mas, abstenho-me a dizer: amar você foi bom, mas eu arranco definitivamente, ou tento, a partir de hoje.

É, bonito. É o fim.

Você também pode gostar

6 comentários

  1. Eu nem sei o que dizer/como comentar tudo isso.

    Apesar de triste, muito bem e muitissimo bem escrito.

    Estou aqui, com os sentimentos revirados.

    Um Beijo.

    ResponderExcluir
  2. Sabe o que é pior?
    Nunca haverá outro amor assim.
    Nunca.

    Bjos

    ResponderExcluir
  3. Essas coisas de amor são estranhas... complicamos tanto e tudo se torna tão grande diante de nós.

    É faca de dois gumes, prazer e dor...
    Arrancar vai doer, mas a dor passa, sempre passa.

    Beijo, Pâm.

    ResponderExcluir
  4. Caio sempre arraza *---*
    o texto esta muito bom mesmo

    bejos

    ResponderExcluir
  5. Você, sempre me fazendo suspirar ao lê-la, Mel.

    Amay as palavras.
    Tuas e do Caio.

    Besitos.

    ResponderExcluir
  6. Começar com Caio já é louvável, e suas palavras são ainda mais.
    Lindo texto, triste, por isso ainda mais belo.

    Beijos

    ResponderExcluir

FANPAGE

@igpamelamarques


DIREITOS AUTORAIS

Todos os textos publicados aqui neste blog são de minha autoria ou de autores convidados. As fotos e gifs foram retiradas de sites como Pinterest e Tumblr, sendo assim, para de fim direitos autorais, declaro que as imagens NÃO pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente comigo por meio do e-mail: adm.pamelamarques@gmail.com. Eu darei os devidos os devidos créditos.