segunda-feira, maio 14, 2018

Sobre você



Acho engraçado como você pega a comanda e coloca no bolso para que eu não pague o lanche. Mas acho tão bacana porque você não se irrita quando, por um descuido, eu passo a comida no débito. Você ri e diz que sou geniosa, mas que está tudo bem eu ser uma baixinha encrenqueira. Que não dá pra mudar esse meu instinto de ser livre e que me gosta assim, de asas abertas, pronta para dar rasantes no céu.

Acho tão bom quando você me abraça do nada e me chama de coisas que só você entende. Ainda fico na dúvida se ser chamada de Filezinho de Merluza é bom ou ruim. Acontece que tudo soa tão bem vindo dos seus lábios, tudo é dito com tanto carinho, que não há como não sorrir e agradecer por ter você em minha vida. Às vezes me pego pensando nas reviravoltas que o mundo dá. Os caminhos que somos obrigados a percorrer para, no final das contas, regressarmos à largada inicial.

Acho tão bonito como você me inclui nas suas coisas, naquilo que não havia necessidade de eu estar. Daí você me lembra que não há segredos, que sempre há espaço para mim em seus sonhos e que onde você estiver eu estarei. Sorrio do teu jeito de ver o mundo e me encanto com a maturidade que você encara os desafios da vida. Acho incrível quando estou prestes a explodir e você me pega pela mão, me faz respirar devagar e olhar o problema por outro ângulo. Há sempre uma saída sem estresse, você diz. E eu sempre alcanço ela ao seu lado.

Acho tão fantástico o modo como você me vê. Talvez eu não tenha a mesma sensibilidade que você. Acho mais sensacional ainda lembrar a quantidade de qualidades que você me enumerou enquanto eu insistia em contar sobre os meus defeitos. E o modo como você me disse, olhando em meus olhos: o que é defeito para uns é qualidade para os outros. Não se deixe medir pelos olhos alheios, de quem não te ama e não te vê.

Acho incrível o modo como você vê a vida, eu repito.

Mas acho mais incrível ainda o modo que você me leva a me enxergar em você.

sexta-feira, abril 27, 2018

Quem deve ser prioridade?

Tem sonho que fica no papel por muito tempo, porque a gente não tem disposição para correr atrás ou porque caminha na direção oposta. Se a linha de chegada está à direita, você não a alcançará se for para a esquerda. Estou desde a manhã analisando onde venho errando nos últimos anos e cheguei à conclusão de que eu não tenho foco o suficiente e que não tenho como prioridade os meus sonhos.

Dói olhar para dentro de nós e enxergar as nossas falhas. Dói, mais ainda, saber que todo mundo é prioridade e você não. Tantas vezes eu já ouvi da minha irmã que eu precisava pensar mais em mim e que a minha generosidade apesar de bonita ainda ia me custar muito caro.

Eu preciso parar de abraçar problemas que não são meus, de deixar as minhas coisas de lado para ajudar os outros, de me deixar em segundo plano porque preciso socorrer quem me pede ajuda. Tem fardo que eu não preciso carregar. Tenho refletido bastante nos últimos tempos, em 2015 estava obstinada atrás de um sonho e deixei escorrer por entre os dedos por pura permissão minha, porque desviei o olhar do meu objetivo.

Não me arrependo dos abraços que dei e da mão que estendi. Mas eu ando bem cansada de ser boazinha, de sempre estar disponível para apagar incêndios que eu não acendi sequer um fósforo, de tentar resolver problemas que não são meus. Às vezes a gente precisa dizer “nãos” para que a consiga viver. Eu não aprendi a dizer, infelizmente. Mas espero, de todo o meu coração, inserir essa palavra no meu vocabulário. Hoje eu amanheci bem reflexiva em relação às minhas amizades, aos meus amores, ao que venho plantando e fico entristecida por enxergar que grande parte das minhas relações são infrutíferas.

Eu preciso aprender a separar o joio do trigo o mais rápido possível. Ou então perderei a colheita da minha vida. É como diz lá em 1 Coríntios 6;12: Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.Que eu acorde para a vida e aprenda a me colocar em prioridade e pare de ser a pessoa que de tão boazinha passa a ser trouxa.

quinta-feira, abril 12, 2018

Ela está muito bem sem você, obrigada!



Ela está muito bem sem você, obrigada!

Não foi fácil ela te colocar na lista dos “nem devia ter começado”.  Mas ela finalmente conseguiu seguir a vida sem olhar as suas postagens, sem permitir que aquele sorriso bobo – põe bobo nisso – surgisse no rosto ao lembrar dos momentos em que estiveram juntos.

Sabe o que é? Ela percebeu que você era um babaca. Que se tornou “príncipe encantado” só pelo nível exaltado de carência dela. Ela tira e põe pessoas na vida dela quando quer. O amor-próprio dela grita. Enquanto ela quis se enganar com você, se enganou.

Bastou decidir consigo mesma que você era tão desnecessário na vida dela e assim, não merecia nem um minuto dos pensamentos dela; pra te enterrar nas emoções dela. Quando ela deixa alguém de lado, é uma vez só. E olha, muitas mulheres são de “idas e vindas”. Ela não.

Aquela mulher sabe que não precisa ter alguém do lado pra ser feliz. Ela é feliz com a própria companhia. Estuda, trabalha, cresce pessoal e profissionalmente. Tem muitos amigos, ama estar consigo mesma. Ela não precisa de você. O que tiveram foi um devaneio dela. Porque ela permitiu, ela quis.

Ao somar a tristeza e vazio que você provocava na vida dela e ver que era maior que as alegrias, ela teve certeza que você só serviu de experiência. Não há mágoas, ela é mais forte do que isso. Mas não espere mais que ela vá atrás, nem que ligue, envie mensagens/e-mails. Ela não vai mais te procurar. Sabe o que ela faz quando pensa em você? Rebate o pensamento com “como perdi meu tempo!”. Ela está muito bem sem você, obrigada! É uma mulher forte, batalhadora, corre atrás da própria felicidade. Não a deposita em mãos alheias.

E olha, daqui um tempo ela estará tão bem que você vai ser passado enterrado à sete chaves. Não vai provocar nada nela. Talvez uma curiosidade em saber que você continua sozinho, largado e por aí com umas e outras. Enquanto ela estará linda, amada e vivendo muito bem os dias dela. Sabe o mais intrigante de tudo isso? Ela aprendeu que não precisa de alguém do lado pra ser feliz! Ela aprendeu que o que for pra ela, vai se encaixar à vida dela naturalmente. Você e ela eram algo que exigia esforço demais. Não era pra ser mesmo.

Ela sofreu, ela correu atrás, ela lamentou pelas as outras. Ela chorou, ela bebeu, ela se acabou numa panela de brigadeiro. Mas ela se reergueu. Passou por cima de tudo e está cuidando de si. A vida dela é mais leve sem a sua presença.

As suas mentiras, ela jogou no mar. Ela não é mulher de desejar mal a alguém, vive como se você não existisse. Segue a vida, correndo na direção dos objetivos, cheia de amor-próprio. Ela ficou mais forte depois de tudo o que você provocou.

Segue a sua vida. Não perca o seu tempo pensando nela. Tentando saber sobre ela. Essa moça é do tipo que deixa de lado uma vez só. Às vezes em que ela foi atrás, era na tentativa de não deixar morrer o que vocês estavam construindo.


Mas agora, ela deixou de lado. E isso não tem volta. 


terça-feira, abril 10, 2018

Carta aberta ao meu ex


Há muita coisa entalada aqui dentro. Há dias que eu penso em você com um certo pesar; outros dias eu lembro com muita tristeza. Não há como dizer se, em alguns desses momentos, eu penso com amor. É tudo muito confuso o que ficou aqui dentro de mim e muito doloroso também. Com uma dor imensa no coração eu digo que sinto saudades de você. De quem fomos. De quem éramos. Sinto saudades de dividir minhas pequenas alegrias e minhas grandes conquistas. Dia desses conquistei algo tão grande e não tinha você para me parabenizar. Dia desses eu tomei café na xícara que você me deu, enquanto escutava a nossa música no Spotify. Dia desses eu peguei aquela caneta tinteiro que você me deu, no dia dos namorados, e fiquei pensando: “como diabos é que eu faço para usá-la?”

Há muita coisa presa na garganta ainda. Um monte de coisas que eu queria ter dito para magoar seu coração, para te fazer sentir a dor que eu senti. Mas há também tanta coisa que eu nem sei definir. Nem sei se deixei de te amar, a única coisa que sei é que você me faz falta do nascer ao pôr do sol. Da primeira até a última hora do dia. Tão estranho acordar e não ter você. Tão doloroso é sentir que nunca mais seremos. Tão triste é lembrar da gente, dos nossos dias juntos, de fechar os olhos e ver você me estendendo a mão e saber que você quis caminhar por outra direção. Sem mim.

Há muita coisa aqui dentro do coração. Tem dia que não dói tanto e nesses dias eu sorrio mais. Mas tem dia que é tão terrível, que me dilacera por dentro e eu choro feito uma criança. Hoje é um dia desses, sabe? Em que eu queria que tudo fosse apenas um pesadelo e que ainda fôssemos quem éramos um para outro. Eu sinto saudade do meu melhor amigo. Sinto saudades das suas piadas idiotas e das canções que você postava em seus stories para mim. Sinto saudades das suas selfies e de mandar fotos com caretas para você. Sinto saudades de te mandar longos áudios e de ouvir o seu sotaque bonito. Sinto saudades da sua filha – eu a amo tanto. Sinto saudades dos nossos planos, de imaginar nossas viagens e pensar como seria observar as auroras boreais ao seu lado.

Há muita coisa aqui em mim e eu não consigo esvaziar. Vez ou outra alguém toca no teu nome e eu sempre dou um jeito de te defender. Digo que a culpa não foi sua, que foi das circunstâncias e de toda a distância que nos separava fisicamente. Mas logo alguém me diz que você não me amou o suficiente e isso me dói o coração. Talvez eles tenham razão. Eu nunca saberei.  Eu disse que nunca mais ia escrever nada sobre você, mas eu não estou aguentando o peso dos meus sentimentos, ando tão sufocada, tão deprimida, que às vezes nem eu mesma me compreendo. Todos os dias eu acordo e me pergunto se você ainda pensa em mim, se também sofre como eu sofro, se ainda sou alguém importante para você, se você ainda ouve as nossas músicas ou se muda logo a estação quando elas tocam. Mas minhas perguntas não são respondidas e não há quem possa responde-las. Hoje meu coração dói de uma forma tão inexplicável que eu só queria que você chegasse e dissesse: é só um sonho ruim, eu nunca fui embora, eu sempre estive aqui. Mas eu sei que você se foi e até hoje eu não entendo o porquê. A gente tinha uma relação tão bonita, tão verdadeira, tão incrível. Como foi que você desistiu de mim? 

quarta-feira, março 07, 2018

Eu não perdi minha esperança

Sexta-feira passada meu coração me deu um falso alerta: eu estava morrendo. Respirei fundo. Contei até três e repeti a mim mesma que não, eu não estava morrendo. Era só a minha ansiedade batendo à porta. Entrei no banheiro, liguei o chuveiro e enquanto a água caía eu repetia: eu estou bem, eu estou bem, eu estou bem. Nada novo sob o céu. Há alguns anos venho lidando com essa visita desagradável e sempre inesperada. Nunca sei quando vou ter um surto. Sempre é doloroso. O ar me falta, meu coração acelera e a mente fervilha. Tão doloroso parecer uma bomba-relógio prestes a explodir.

De sexta para cá me isolei o máximo que pude. Tenho mais de cem mensagens para responder e a vontade que eu tenho é só de descansar. Às vezes a cabeça da gente pede descanso; ela pede silêncio. A minha vem pedindo paz. É como se ela dissesse: "tira férias, se cuida um pouco". E há alguns dias venho me permitindo desligar o celular ao chegar em casa, tomar um banho, assistir a novela com minha família ou simplesmente ir dormir.

Acontece que nem sempre dá para sumir por completo. A vida pede que a gente olhe com responsabilidade para as nossas obrigações. Então, aos poucos eu vou me obrigando a cuidar daquilo que é primordial. Este texto nem deveria ser tão pessoal, afinal o blog não é um diário. Mas ele acaba sendo reflexo daquilo que sinto. A gente escreve aquilo que há em nós. E há alguns dias venho lutado com esse desespero que se instalou dentro do meu peito.

Antes que você pense: "ela perdeu as esperanças". Eu quero te dizer que não perdi. Eu só compreendi que não dá para ser forte o tempo e que eu posso sofrer também. Que eu posso chorar no colo de Deus e dizer que eu não aguento. Que eu posso olhar para mim mesma e me abraçar como se fosse uma criança que acabou de se machucar ao cair. Que eu posso sim dizer que não quero falar com ninguém, que quero meu espaço e sofrer calada. Que eu posso entender a minha humanidade e ser um pouco vulnerável vez em quando. 

Esses dias eu decidi que caminharia devagarinho e que não maltrataria mais meu coração por causa das escolhas alheias, que não deixaria a minha mente me sabotar por quem sequer teve cuidado comigo, por quem nunca me amou ou por outros motivos mais que me assombram. Esses dias eu decidi que só me cabe aquilo que está sob meu controle e aos poucos vou percebendo que me abraçar foi a melhor decisão que eu tomei nos últimos tempos.


quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Eu bebi você


Eu bebi você em algumas doses de vodca barata dias atrás. Aproximadamente oito doses ou mais. Já não me lembro bem. A única coisa que me recordo é da coragem insana que me incentivou a te ligar. Olhava fixamente para o teclado numérico e o número – que recém havia deletado – pululava em minha mente. Apagar não adiantou. Senti que minha vida era um roteiro sertanejo cantado por Marília Mendonça ou, quem sabe, Milionário e José Rico.

Terceiro toque e o coração na goela. A arritmia latente não se dava somente pela bebida, pensei eu. Que adrenalina é ligar para alguém na incerteza do que ouvirá do outro lado. Quinto toque e antes que eu desligasse, que desistisse de você, ouvi a sua respiração e um alô aparentemente injuriado. Você queria saber o porquê de eu ligar àquela hora e disse que – pelo nosso bem – havíamos ficado no ano de 2017. Respirei fundo, a bebida havia evaporado e o álcool que bebi não foi capaz de adormecer a dor que naquele instante você causou.

Você parecia mais viva e a sua voz firme me mostrava que eu não era mais bem-vindo. Respirei fundo, soltei um “eu sinto muito por tudo” e pude ver – por um instante – os seus olhos revirarem em minha mente. Não era preciso ter boa imaginação para saber que essa seria a sua reação diante do meu desabafo. Você sempre foi tão previsível, não é mesmo? Ou será que foi só a saudade que deu um jeitinho de materializar você em minha frente? Nunca saberei ou terei certeza quanto a isso. A única certeza de que carrego comigo é de que não há mais espaço para mim em sua vida e coração.

O telefone quase mudo me golpeou ferozmente. Havíamos tantos planos sempre, tanta conversa a se jogar fora, a vida toda parava enquanto dissertávamos sobre o nosso dia; que ouvir somente a sua respiração do outro lado da linha me cortava o coração. Você já não tinha mais a mesma paciência de antes. Você parecia não se importar mais com as minhas idas à cidade vizinha atrás de soluções para o prego do meu carro; não se importava mais com as canções que tocavam ao fundo especialmente para você.

Esses dias andei ouvindo Kid Abelha e lembrei que te cantei alguns versos quando nos conhecemos. Outro dia, também, mudei a estação de rádio e ouvi a nossa canção tocar. Tanta coisa ainda me lembra você e o teu jeito bonito de ver o mundo. Dia desses eu tive um problema e pensei que se você não soubesse a solução, saberia – ao menos – me confortar. Só que você não estava aqui para me dar um sermão ou me apontar a direção. Às vezes penso que fiz a escolha certa ao sair da tua história, mas em dias cheios de tensão eu penso o quão seria bom te ver fechando os olhos ao ser abraçada por alguma canção que eu te dedicava. É. Eu ainda te vejo nas minhas canções e ainda há em minha playlist um pouco de você.

Eu bebi umas doses de vodca barata, eu bem sei. 
Mas era só um pretexto para criar um pouco de coragem e dizer que eu sinto uma puta falta de você. Nem precisa se estender ao telefone, pode desligar quando quiser, mas antes deixa eu te dizer: tem dia que é muito foda não ter mais você, tem dia que a minha playlist fica maluca e traz você em todas as canções e, é foda, muito foda, brigar com tanta recordação. Agora pode desligar, coração.