terça-feira, janeiro 26, 2016

A Lua dela é em câncer


Ela não vem com manual de instrução, mas você vai perceber – aos poucos – que ela tem um modo peculiar de observar a vida. O Sol dela vive brigando com a sua Lua: ela é de Áries. O coração da moça vive sempre na corda bamba, sempre em seu limiar, lutando bravamente para se manter calma e serena. Ela é de Áries e você sabe, nós sabemos, todos sabem, o quanto é perigoso – em determinados momentos – estar ao lado dela. Ela carrega dentro de si um vulcão prestes a entrar em erupção, mas a Lua dela é responsável por adormecer e, até mesmo, apagar esse fogo que há em seu interior.

Ela traz no peito toda a doçura de morangos campestres – aqueles vermelhos que se dissolvem na boca – e todo o fel que as bocas inteiras, desde a criação do mundo, já experimentaram. Ela não se entende. Quem a entende? Ela ri de piadas bobas com a mesma intensidade que chora por causa de comerciais de margarina. Ela sente muito, com muita força, com muito pesar, com muita violência. E quando vê que não é correspondida da mesma forma se apavora, a Lua dela a maltrata, derruba-a na lona arrancando o pouco da dignidade que lhe restara.

A Lua dela é em câncer. E a gente percebe que não poderia ser outra, tendo em vista que ela é relicário de amor. Seus carinhos transbordam. Jorram feito água depositada sem zelo dentro de uma jarra. Ela ama, ama muito, ama com força. E não há quem diga que o seu Sol tenha gosto de sangue, que ama incitar a guerra, que provoca rebeliões, que incendeia aldeias inteiras, porque ele se faz tímido diante da beleza, da “reluzência” e de todo o encanto que o luar provoca sobre as pessoas.

O abraço dela é perigoso e quem esteve em seus braços sabe. Ele é casa arejada, com janelas abertas, convidando a luz do sol a entrar pelas frestas e é um vespeiro – outras vezes – em que se recomenda, no mínimo, 10 km de distância. A moça é uma incógnita, é tesouro que se esconde nas profundezas do mar. E seu coração, ah! Seu coração é o único mapa capaz de desvendar os mistérios que ela traz em sua alma. Dizem, reza a lenda, que quem conseguir ler, traduzir os caminhos, e conseguir se equilibrar entre sua doçura e acidez será um bandeirante a desbravar os céus e mares que há em seu interior. Ela é para piratas e forasteiros. Ela é.

Fotografia: Théo Gosselin.

segunda-feira, janeiro 25, 2016

5 canções para sentir o amor


A música é capaz de eternizar momentos em nossas vidas. Quantas canções se tornam - todos os dias - a trilha sonora de relacionamentos, são armazenadas em nossas mentes com alguma lembrança boa de alguém ou algum acontecimento marcante? Não é possível contabilizar. Apenas sabemos que a música tem o poder de mover o mundo, de conectar as nossas almas e dar às nossas almas uma espécie de bálsamo. Separei - APAIXONADAMENTE - uma playlist com 5 canções para sentir o amor. Com muito amor.


1. Amei te ver - Tiago Iorc;


Ela é a minha number one da lista por vários motivos: a voz dele tem o poder de fazer aquela cócegas em seu estômago, ela espalha todas as borboletas que estão aprisionadas em dentro de nós, tudo o que ele canta é poeticamente perfeito. A música Eu amei te ver é uma das minhas preferidas, daquelas que você ouvia até furar o disco de vinil, que dá um quentinho na alma de tão singela e verdadeira que é. 

"O coração dispara. 
Tropeça, quase para. 
Me encaixo no teu cheiro. 
E ali me deixo inteiro. Eu amei te ver. Eu amei te ver".

2. Peito aberto - Kid Abelha;


Peito aberto é uma das canções mais apaixonantes - na minha opinião -, que foi gravada pela banda Kid Abelha. Todas as vezes que eu a ouço imagino um casal estendendo a mão ao outro e atravessando a rua, as estradas, a VIDA. É uma espécie de súplica, de abandono, de entrega total. Aquela música que tem o poder de arrancar suspiros a cada nota ~ ai ai.

"Seja como for, mas seja. 
Sempre o meu amor perpétuo.
Onde estiver, esteja.
Onde está meu peito aberto".

3. Velha Infância - Tribalhistas;



Velha Infância é, sem dúvida, um dos clássicos da música popular brasileira. Quem nunca enviou um sms ao amado com um trecho da frase, usou como status do MSN ou compartilhou no Facebook o vídeo que atire a primeira pedra. Ela é o tipo de música que é enredo para todas as fases de namoro.

"Você é assim, um sonho pra mim, e quando eu não te vejo.
Eu penso em você, desde o amanhecer, e até quando eu me deito.
Eu gosto de você e gosto de ficar com você. 
Meu riso é tão feliz contigo, o meu melhor amigo é o meu amor".


4. Sozinho - Peninha;



Sozinho é aquela canção que é pai da sofrência. É bem provável que você já tenha curtido uma fossa ao som dessa música devastadora de corações. É latente o sofrimento em cada estrofe, a forma em como sentimos de forma palpável a canção. Sozinho é, sem sombra de dúvida, aquela canção que toca o âmago do nosso ser.

"Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
Quando a gente gosta é claro que a gente cuida.
Fala que ama só que é da boca pra fora".


5. Sede de amor - Paula Fernandes.


A última música da playlist é uma indicação do amor que escolheu, me dedicou ela para compor a postagem ~ o intimei/sem pressão a me oferecer uma música ~ e ainda ganhou 5 estrelinhas. Não a conhecia, mas já está guardadinha na minha pasta no celular. 

"Não te contei, mas toda noite os meus sonhos só pedem você.
Bem aqui pra alegrar o meu sorriso e ser a cura nos momentos de dor.
Quero matar a minha sede de amor".





sexta-feira, janeiro 22, 2016

Seja feliz hoje!


Moça, aprende uma coisa, a sua intensidade vai assustar muita gente, principalmente aqueles que não estão dispostos a te conhecer verdadeiramente. Mas não se incomode, tem muita gente nesse mundo que vai olhar pra ti e dizer: "que sorriso lindo!". Então, não se acanhe, não seja menos porque os outros não estão acostumados a ver pessoas com o coração em fogos de amor.

Cuide do seu jardim, plante boas sementes, cultive bons sentimentos, e você sempre vai colher novos sorrisos, novos sonhos, novas oportunidades de ser feliz. Tem quem pense que a felicidade se encontra numa amizade, num amor, numa conquista, estão certos também. Mas a verdadeira felicidade, se pratica todo dia, na simplicidade, na forma de levar a vida, no desejo de sorrir mais, de espalhar gentilezas e de guardar o que for bom.

Aprenda a sorrir nas dificuldades, por mais triste que esteja, um sorriso traz paz, te faz mudar o foco, organizar as prioridades, enxergar novas opções. Se coloque sempre em primeiro lugar, faça por você, sonhe e realize por você, seja feliz porque você merece. Não tenha medo, antes só, com o coração feliz por simplesmente estar viva e ter saúde, do quer ser rodeada de falsos abraços.

Desde o momento em que a gente nasce, passamos por tantas coisas, tantas perdas, tantos obstáculos, mas o importante é que estamos de pé, apesar dos tombos e vendavais, um coração meio remendado, muitas decepções, uma coleção de desilusões, alguns mares de lágrimas, mas nada disso importa se ainda cremos no amor, se ainda temos fé que toda luta tem sua recompensa, que todo sonho tem lugar para se realizar, que toda dor vai passar, que o que for de verdade vai ficar, e sabe, o que tem que permanecer, tem uma força enorme pra ficar ao seu lado, sem desculpas.

Mesmo com tudo ao contrário, com tantas faltas, você não deve absorver as coisas ruins, não deve se deixar levar pela negatividade e desamor alheio. Seja leve, seja sorriso, seja você. Não dê espaço para o que te impede de ser feliz, de prosseguir, de viver tranquilamente, com a alma em paz. Tem muita gente que diz ser seu amigo, que diz que quer o seu bem, que finge que gosta de você, para te deixar cheia de nós. Livre-se! Liberte-se!  Seja mais você, bem se queira, seja laço que enfeita a vida com sorrisos bonitos.

E do fundo do meu coração, eu desejo uma vida cheia de amor, cheia de fé, cheia de positividade e cheia de luz. Seja você o centro da sua vida. Não importa quem passou e não ficou, o que importa é que você está dançando conforme a música, e que o seu caminhar seja florido, claro, que vai ter alguns espinhos, mas busque ser o melhor que você possa ser, não para os outros, mas para você.

Tomara que você encontre pelo caminho, pessoas que sejam inteiras iguais a você, e precisem de você o tanto que você precise delas. Que todo sentimento seja mútuo, recíproco e faça bem pro coração. E se não for nada disso, esqueça, mude a rota, e busque coisas novas. A mudança depende de você, mude muito, mude toda vez que for preciso, e o principal, moça bonita da alma florida: seja feliz hoje, agora, todo dia, nesse instante, seja muito feliz, espalhe muitos sorrisos, ria até as bochechas doerem e o coração suspirar. É pra isso que você veio a este mundo, ser feliz de corpo e alma. Entregue-se!

Colunista: Sabrina Braga.
Ouça a música. É um presente!


terça-feira, dezembro 22, 2015

Me dá a mão e me leva embora




Me dá a mão
Me leva embora ♪♫
Kid Abelha

Me pega no colo, me enrosca em tuas pernas e me diz que não quer a calma de um amor tranquilo. Que deseja furacão, que quer ventania, que deseja ser vulcão em erupção. Me conta umas verdades bonitas - aquelas que somente o coração tem coragem de confessar -, e me olha nos olhos com cara de vontade. Vontade de ser um e se entrelaçar em meu corpo até se perder. Desfaz o nó da minha cabeça, faz um laço em meu coração - liga as tuas artérias aos meus desejos, me rompe a alma e me faz tua. 

Me beija os olhos, me toca os lábios e escreve uma poesia qualquer, daquelas que vemos espalhados nos olhos dos transeuntes, e me deixa ser a história mais maluca que a vida quis te escrever/envolver. Seja o mocinho nas manhãs de primavera, seja o vilão nas noites de inverno, seja meu amigo nos dias em que o verão nos convida a descobrir a vida lá fora, seja meu amante quando as flores nos intimar ao amor.

Desenha em meu corpo as tuas digitais, faz meu coração bater em uníssono junto ao teu, espalha as borboletas que carrego dentro do estômago, plante um jardim de margaridas debaixo dos meus pés, apresente a nossa história nos outdoors da cidade, tenha orgulho da gente, de nós, dos nossos nós, diga ao mundo que a gente se tem, que você foi meu presente de aniversário/dia das crianças/natal e ano novo. 

Me dá a mão e me leva embora. 
Leva embora para a tua vida, pro teu canto.
Para a tua história.


Fotografia: Théo Gosselin.

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Espere. Confie. Supere!


Têm momentos na vida que pensamos que aquele amigo, aquele amor, aquele gosto, aquela mania, seria para sempre. Mas talvez o "para sempre" seja feito de agoras. E quem está predestinado a somente passar, vai entrar sem pedir licença e depois vai deixar saudade ou decepção. Da mesma forma que as coisas mudam, o tempo muda e as pessoas também.

Não somos igual ao outro, ninguém vai se doar e se entregar do mesmo jeito que você. Ninguém vai sentir o que o seu coração sente tão pouco vai compreender os mistérios da sua mente. Nem todo mundo está disposto a desvendar o melhor que nós temos guardado no peito.

Têm vazios que só o amor-próprio vai preencher. Têm feridas que só o tempo vai cicatrizar. Mas sabe de uma coisa? Acho mesmo que quem sente muito, sofre o dobro. A gente sempre vai esperar mais do outro, sempre vai sonhar alto, sempre vai criar expectativas e ilusões, e sempre vamos quebrar a cara também.

Talvez seja o mal de quem é intenso, ter asas no coração e nunca desistir de tentar. Uma hora engrena, uma hora vai, uma hora desata e dá certo. Quem tem um coração pulsando a todo vapor sabe o quanto é difícil se controlar, o quanto a ansiedade bate e angústia aperta.

Quem tem muito pra oferecer e não é correspondido, transborda sentimentos pelos olhos. Digo que não é fácil esperar dos outros o que fazemos por eles. É como fazer aniversário e ninguém que importa te dar parabéns.

Temos que aprender a confiar menos nas pessoas, a entregar menos o nosso coração de bandeja. A gente aprende a ser forte quando é preciso, aprende a ignorar quem não gosta da gente de verdade e principalmente, aprende a desapegar daquilo que faz mal e nos impede de conquistar novos risos, novos sonhos e estar em paz.

Afaste-se de tudo que você achou que um dia foi verdadeiro, mas está te sufocando. Não tenha medo da mudança, respire novos ares, crie novos hábitos e dance consigo mesmo. Se amar e não precisar de quem não precisa de você é uma experiência incrível. Se não deu certo, deixa ir, permita-se conhecer outras coisas, expandir o horizonte pode te fazer muito feliz, mas você precisa tentar.

Uma coisa eu aprendi nessa longa caminhada de coração partido, amizades desfeitas, decepções e auto conhecimento, nada dura pra sempre, a vida é mutável e você precisa se reinventar todo dia. Nem tudo que você quer vai acontecer, nem tudo vai ser do seu jeito. Mas uma coisa é certa, Deus estará sempre ao seu lado, por mais que você não mereça.

As coisas vão melhorar, você vai ser feliz simplesmente e vai agradecer por tanta coisa que você aprendeu e superou nessa vida. Espera, mas sorria. Confia, mas faça por onde. As coisas não vão cair do céu e você nasceu pra brilhar.

Autora: Sabrina Braga
Fotografia: Théo Gosselin

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Me dá um cigarro



Eu trago você nos espaços mais recônditos, nas cartas amarelecidas e empoeiradas pelo tempo, no relicário que insisto em manter sobre a cômoda para me mostrar - masoquistamente - que o nosso amor existe. Eu trago você (neste exato momento) no terceiro maço de cigarros que abri em menos de 4 horas. No meu coração dilacerado que chora e insiste em pôr reticências onde deveria haver um ponto final. Que não consegue passar para a próxima página, que não entende que é necessário encerrar o capítulo e reescrever, quem sabe, uma nova história.

Eu trago você com a fumaça que arranha minha garganta. Ela que sufoca os meus pulmões, que me maltrata, na mesma intensidade em que a tua falta comprime o meu coração. Aos poucos vou compreendendo que amar é uma espécie de desespero, é uma desvario que cometemos, é uma insanidade temporário. O amor, no final das contas, é um doce veneno e pouco a pouco eu reconheço a sua letalidade. A medida que o ar me foge das narinas, que os meus sinais vitais diminuem e que o chão me falta sob os pés.

Eu trago você nos bolsos dos meus jeans surrados. Naqueles bilhetes que espalhávamos pelos cômodos de nossa casa, nas fotos polaroids que colecionávamos, na foto da viagem feliz que decidimos pôr em um monóculo, no grampo da sua avó que você me pôs no cabelo na sua formatura, na música Darling, dos Beatles, que está com o repeat ativado há mais ou menos 7 semanas em meu celular, nas luzes do campo sintético que insistem ainda - nada mudou desde então - em adentrar a janela do nosso antigo quarto.

Eu trago mais um cigarro e repito ao garçom da mesa: "me dá um cigarro". Em meu desassossego, em minha falta de argumentos, em meu desalento, na (d)esperança de que ele me traga o teu coração - metaforicamente - na bandeja de volta. São dias difíceis. Dias ingloriosos. Dias em que a vida se resume em cinzeiros abarrotados de bitucas e pedaços meus.

Do meu coração.

Fotografia: Théo Gosselin.
     
  Este é um post do grupo Escritores na Era do Compartilhamento.