sexta-feira, setembro 26, 2014

Só preciso.

Eu só preciso deitar a cabeça em teu ombro enquanto a chuva cai lá fora. Então deixa, bonito, desenhar estrelas nos teus braços enquanto tu me envolves aquecendo-me do frio. Só quero me apaixonar todos os dias pelo teu sorriso largo e cheio de vida. Pelas tuas frases piadistas e cheias de segundas, terceiras e quartas intenções. Pelo teu jeito alegre de ver a vida e por me plantar flores em meu coração. Só preciso disso. Que meu coração seja acomodado dentro do teu peito como se ali, no seio de tua mãe, ele tivesse sido gerado. Eu só preciso saber que há muito de nós em tudo que vejo por aí. Nas nuvens que se formam no céu desenhando corações ou na lua que banha os enamorados na praça da cidade. Eu só preciso entender que a gente se tem desde sempre, desde o primeiro olá, até o primeiro: deixa de ser besta. A gente só precisa entender toda essa coisa toda, enquanto não compreendemos me deixa aqui, quietinha, tocando teus cílios que dançam e fazem poesia.

quarta-feira, agosto 13, 2014

O amor é a matemática

Penso que o amor seja uma espécie de loteria. Você pega um volante e às cegas marca os tão desejados número na esperança de ser premiado. São apostas. Não é a pessoa que se dedica mais ou que se entrega plenamente. Não é porque você ama o outro e faz tudo que ele deseja que receberá o mesmo afeto. 
Um conselho. Pare. Amor não exige demonstrações de submissividade e se exigir, claramente, não é amor. Embora não acredite, tão veemente, no amor conjugal a meu ver amar tem que te libertar das prisões, dar asas, permitir você ser quem é sem a necessidade de máscaras, pisar de ovos ou receio de magoar o outro. É como andar sem medo em um lago fino de gelo. É questão de sorte. De ser sorteado mesmo. A famosa: probabilidade.
Você tem uma chance, mas não sabe exatamente sobre o quê. Não é igual a uma moeda que sem tem dois lados e que você pode tentar prever. Só que tudo é imprevisível. Se você jogar um dado as chances de sair um número de 1 a 6 são iguais. E você é um desses lados. Você pode ser sorteado agora, amanhã ou nunca. Só que a vida não é um dado de 6 faces. Acho que ela se equipara mais a um volante mesmo com 60 números. Possibilidades. 
O amor existe para alguns. Inexiste para outros. A questão é saber se você faz ou fará parte dessa estatística. Nunca saberemos a não ser que apostemos.

quinta-feira, julho 24, 2014

sobre relações.

Acredito que as pessoas deveriam vir até nós com uma bula especificando os malefícios que podem causar às nossas vidas caso tomemos a dose errada ou, até mesmo, com uma placa brilhando em néon apontando o grau de periculosidade que ela tem. Infelizmente nem um, nem outro. As pessoas apenas chegam até nós vestidas da forma que elas desejam se apresentar. A velha história do lobo em pele de cordeiro. E como enxergar, distinguir um do outro? A resposta é única e objetiva: conhecendo.

Ao longo de nossas vidas nos deparamos com príncipes, vilões, plebeus, guerreiros, tudo isso idealizado por nós. Criamos em nosso imaginário a pessoa perfeita e livre de defeitos. Acredito, ainda, que o amor esteja aí: ver qualidades onde não se tem. Quando se ama alguém até o que é prejudicial a nós é amenizado pela ideia de que o outro não tinha ou teve intenção de nos ferir. Aí é que mora o perigo.

As pessoas que entram e saem de nossas vidas levam um pouco de nós, deixam muito de si e o problema está naquilo que insistimos em preservar. Costumo dizer que a minha memória é de elefante para o bem e não armazena aquilo que é nocivo a mim. A forma como lidamos com os nossos sentimentos é que nos direciona ao caminho da felicidade. Embora, esqueçamos os ultrajes e violações que o outro cometa contra nós, sempre haverá uma mancha a macular aquilo que nasceu límpido. Cristalino.

Sempre acrescento que o coração é semelhante a uma colcha de retalho, cada pessoa que passa tece em nós alegrias, tristezas, e até algumas dores bem profundas. Algumas pessoas não sabem coser e com a agulha costuram porcamente seus pedaços em nós. E eu lamento por isso. Porque uma costura sempre será uma costura. Não há como tirar a linha delicadamente, sem ferir o pano – em nosso caso o coração -, eu entendo que por vezes haverão pessoas e pessoas a remendar as nossas vidas.

Mas também, entendo, que chegará um ponto em que você não estará disposto a entregar seu coração a alguém. Quando isso acontecer você saberá que não existem mais pontos a serem dados, porque dentro de você já não há o que coser. As relações nascem para construir e, muitas vezes, destroem. Eu não vejo esperanças para corações que chegam a esse ponto e se você souber, por favor, me diga.

quarta-feira, julho 02, 2014

2 meses

2 meses.

Queria escrever algo sobre o que meu coração carrega neste momento além do amor e da dor. Que os dias sejam doces e cesse o sofrimento.

Amém.

segunda-feira, maio 19, 2014

O amor nasce.

O amor nasce no boteco em que cabulamos as aulas da faculdade; no intervalo do trabalho quando descemos para tragar um cigarro; em um congestionamento infernal às 7 da manhã, enquanto o outro deixa você passar. O amor nasce enquanto você estuda geometria espacial em pleno feriado; quando você resolve ir à padaria da esquina tomar um café; quando você esbarra - cinematograficamente -, no outro ao atravessar a rua. 

Eu entendo que o amor nasce. Ele nasce quando a gente estende a mão ao outro de modo a apoiá-lo; quando você oferece uma bala a pessoa sentada ao seu lado no ônibus; quando você ouve alguém discutindo literatura, gostos musicais e percebe que vocês têm gostos em comum; quando a chuva cai e vendo que você precisa atravessar a avenida alguém lhe dá carona em seu guarda-chuva.

O amor nasce.
E eu tenho esperança nisso, porque todas as vezes que alguém se apaixona nasce uma poesia por aí. Façamos uma prece para que ele nasça, renasça e se faça em nós.