terça-feira, março 24, 2020

Eu preciso ir embora.


Eu preciso ir embora.
Não porque não exista amor da minha parte ou porque não receba o mesmo afeto de você. Preciso ir embora, porque não consigo enxergar um amanhã em que não soframos por alguma razão. Porque não consigo admitir que você abra mão de tudo o que conquistou até aqui. Porque a minha insegurança (ou a segurança de ser quem sou) não me permite dizer adeus às coisas que a vida me concedeu até aqui.

Eu preciso ir embora.

Porque não dá para viver mergulhado em devaneios. Porque dentro de mim pulsa a urgência de viver um amor real, em sua totalidade, um amor pertinho, mansinho e bem facinho de viver. Preciso ir embora antes que seja tarde demais, antes que eu me perca no labirinto que há em teus braços. Preciso partir enquanto a raiz não está tão profunda (acredito eu).

Sei que não é a primeira vez que parto por medo. Mas é a primeira vez que vou embora querendo ficar. É a primeira vez que faço as malas chorando por saber que é real, recíproco e, ainda assim, impossível de acontecer. Quisera esbarrar no amor que Cazuza cantava: “um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”. Só que meus pés parecem caminharem sempre no sentido oposto. Tropeço nos próprios pés emaranhados de sonhos impossíveis.

Sei lá.

Acho que preciso ir embora logo. Abrir mão de você, do que sonhamos, para – quem sabe, algum dia abraçar algo concreto. Desculpe. É que infelizmente, os sonhos que sonhamos até aqui são tão intangíveis e surreais que consigo vê-los dobrando a esquina do meu coração sem dizer adeus. Mais uma vez.

Eu preciso ir embora porque não suporto mais essa minha obsessão por amores platônicos e porque percebi que por mais que eu queira que você me resgate da torre; não devo mais me comportar como uma princesa à espera de um príncipe e um cavalo alado. Porque, no final das contas, eu sei e você sabe que finais felizes exigem de nós uma coragem que não temos.

Nem eu.
Nem você.

segunda-feira, setembro 30, 2019

Ser bonzinho demais é bom para quem?


Fechei os olhos e tentei ignorar a dor que sentia. Olhei para o teto e respirei calmamente contando até dez. As lágrimas molhavam meu travesseiro e minha respiração entrecortava. Eu sentia muita coisa e ao mesmo tempo não sentia nada. Eu repetia na minha mente: tem dia que é assim mesmo, nem sempre é dia de sol – mesmo que ele esteja queimando lá fora –, tem dia que é de chuva, de tempestade, dentro de nós.

Olhei para o espelho e solucei um pouquinho ao ver meu rosto inchado. Meus ombros pesavam demais e a vontade de voltar para a cama era imensa. Enxuguei os olhos, peguei a toalha e fui para o banho. A água do chuveiro se misturava às minhas lágrimas levando-as ralo abaixo. Elas pareciam gentis demais. Enxuguei o cabelo, troquei de roupa e voltei para a cama. Meu telefone sinalizava várias notificações. Virei a tela para baixo e silenciei.

Mergulhei em um sono sem sonho – os meus pensamentos usurparam seu lugar. Eles pululavam na mente cansada, repetindo que eu deveria me amar mais, que deveria parar de colocar os outros no colo, de tentar ser a salvadora da pátria, de entrar no fogo sem proteção. Abri os olhos com o coração pesado por entender que até o meu subconsciente tenta me avisar que bondade em excesso é prejudicial à saúde. Ser bonzinho demais é bom para quem?

segunda-feira, setembro 09, 2019

Hoje eu quis te ligar



Pedi um café e de repente ouvi a nossa música tocar. Confesso que você veio à mente e me causou um certo desconforto. O problema não é a sua imagem, mas a dor que eu te causei com a minha partida. Eu sei que é tarde para se arrepender ou pedir perdão, mas se você me permite dizer: eu sinto muito. Sei que palavras a essa altura do campeonato não faz diferença alguma para você. Sei que você já teve outros amores depois de mim e que talvez você sequer se lembre de como os meus olhos te olhavam.

É.

Eu não fiz por onde ser uma boa lembrança e, mas uma vez, eu sinto muito por isso. De todos os rompimentos talvez o nosso tenha sido o mais dolorido até aqui. Acho que não soube conduzir bem o nosso fim. O problema é que eu não encontrava uma forma de te dizer adeus, porque sempre que eu me distanciava sentia que o destino nos queria juntos. Tolo. Acredito que tenha sido tolo demais. Mas o que fazer agora? Eu sinto muito pelo adeus que não nos demos e pela mágoa que você levou na bagagem. Sinto muitíssimo por ter magoado quem eu sempre busquei proteger.

Às vezes eu lembro de você de uma forma tão bonita e são nesses momentos que eu me questiono o porquê de ter sido tão leviano com o seu coração. Eu sinto muito por não ter tido o mesmo zelo do início, mas eu acredito que me deixei levar pela minha impetuosidade. Você me conhece e sabe que eu sou impulsivo e faço algumas coisas sem pensar. Sinto muito por não poder voltar no tempo e ter dado um fim mais digno a nós, por não ter preservado o que sentíamos um pelo outro.

Hoje eu ouvi a nossa canção tocar e por um instante eu quis te ligar.
Mas sei que não me cabe regressar ou sequer acenar para um barco que já zarpou. Acho que de tudo o que vivemos sobrara apenas a melodia de uma canção que atormenta o meu peito e me faz reconhecer que realmente algumas portas se fecham quando decidimos atravessá-las.

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Como superar um término


A dor do término dilacera o coração e nos faz, muitas vezes, nos questionarmos se o amor é para nós ou não. Infelizmente não há fórmula mágica para superar um término, mas existem caminhos e escolhas que podem te levar à superação.

Todo término, seja ele longo ou curto, carrega boas lembranças. E são elas que, na maioria das vezes, nos impedem de seguir. Às vezes nós nos apegamos ao ontem, àquilo que nos trouxe felicidade à época, e nos mantemos fixos ali. Os pés não se movimentam e a vida só parece ter sentido naquele instante: onde os dois compartilhavam a vida.

É normal que uma das partes saia ferida da relação. E se essa pessoa, por ventura, for você eu tenho algo a lhe dizer: puxa a cadeira, sirva um café e vamos conversar. Relacionamentos acabam, e tudo bem. Quantos términos você já superou até aqui? Acho que essa é uma pergunta bem pertinente. Eu, por exemplo, já tive meu coração partido algumas vezes e todas as vezes achei que não suportaria o fim. E cá estou recomeçando mais uma vez.

Ninguém entra em uma relação apostando no fim. Até porque nós desejamos encontrar alguém para caminharmos ao lado até o fim de nossos dias. Mas, acontece de alguém desejar caminhar por outra estrada que não nos cabe. E sabe de uma coisa? Tudo bem. A gente precisa entender que a máxima de amar é desejar que alguém esteja ao nosso lado por livre espontânea vontade. Estar conosco não deve, em hipótese alguma, ser um sacrifício ou uma obrigação.

Superar o fim de uma relação requer de nós muito pouco. Isso mesmo! Demanda muito menos que nós imaginamos. O problema é que muitas vezes a dor obscurece o nosso entendimento e nós vamos vivendo os nossos dias de qualquer jeito. Sempre que converso com alguma amiga que está passando por uma situação eu digo: você precisa tomar uma decisão. A palavra-chave é essa: decisão.
s.f. Ato de decidir ou decidir-se; resolução; determinação. / Coragem, intrepidez; firmeza. / Sentença; arbítrio.
Mas como se decidir em meio à dor? Essa é uma pergunta muito pertinente. Sempre que precisei atravessar um término me questionei sobre o porquê do fim, colocando na balança todos os prós e contras. Nós bem sabemos que uma relação não acaba da noite para o dia. Sempre há indícios de que o fim está próximo ou que o outro não está na mesma sintonia que nós. Dito isso, cabe a nós analisarmos se nós merecemos um amor inteiro ou uma relação mais ou menos.

Ao longo dos anos, após algumas decepções, eu decidi que nenhum término dominaria a minha vida e que ninguém, além de mim, teria poder sobre o meu futuro. E como eu fiz isso? Decidindo que eu seria prioridade, mesmo que o teto estivesse desabando sobre mim. É claro que nem todo mundo tem o mesmo discernimento ou encarar seus sentimentos da mesma forma. Por isso, eu resolvi listar coisas que você pode e deve fazer para alcançar paz espiritual e preparar seu coração para o verdadeiro amor. Aquele que virá para ficar. Anota aí que são dicas de ouro:

Aceite que você é humano e que você pode sim chorar. Viva o luto do seu término, mas não viva para a morte dele.
Chore até esvaziar toda a dor que há em você. As primeiras semanas serão bem difíceis, mas acredite: nenhuma dor é eterna e logo você nem se lembrará o motivo de ter sofrido tanto.
Cuide do seu coração, da sua aparência e da sua saúde emocional. Procure estar ao lado de quem te quer bem. Invista em você.
Distancie-se das redes sociais, a priori. Volte o seu olhar para você. É normal as pessoas questionarem o porquê de vocês não serem mais vistos juntos, então se dê um tempo e vá viver essa nova fase de adaptação.
Nada de criar fakes para stalkear a vida do outro. Um dos maiores erros que cometemos é querer investigar a vida do outro para tentar entender o motivo do término. O móvito do término deve ficar claro na última conversa do casal. Se não ficou, não é investigando a La Sherlock Holmes que você terá a resposta. Além do que você tem uma vida novinha, de solteirice, para viver. Viva a sua vida e deixe que seu ex-parceiro viva a dele. Siga em paz!
Desfaça-se das lembranças dolorosas. Evite contatos desnecessários.
Olhe com carinho para você, faça coisas que te alegrem, ouça músicas vibrantes e aposte em algo que lhe dê prazer. Seja um esporte, seja alguma atividade que te faça bem.

E, por último: entenda que você é importante, que merece um mundo inteiro de felicidade e que sua vida não é a casa da mãe Joana para que entrem a hora que quiserem. E isso é importante salientar porque sempre há quem termina e depois de algum tempo – depois que você sofreu, se esguelhou e choro rios e mares – vem com o discurso de que estava enganado. Todas as vezes que alguém vier até você, após você superar um término, dizendo que sente saudades e que quer reatar, se pergunte se todo o seu sofrimento e superação foi em vão. Pergunte ao seu coração, às suas noites mal dormidas, às suas lágrimas, se elas não valeram de nada. Tem gente que faz da nossa vida de playground porque nós damos liberdade. 

segunda-feira, novembro 05, 2018

Amor é doação



O amor é uma doação contínua e relacionar-se com alguém é uma decisão que deve partir, primeiramente, de nosso coração. Um relacionamento não deve nascer de um conhecimento superficial, da vontade que surge apenas do contato visual. Quantas vezes a nossa visão nos engana. Tantas vezes enxergamos uma beleza que agrada nossos olhos e a tornamos norteadora de nosso desejo, até mesmo carcereiro de um suposto amor. A beleza atrai e isso é sabido por todos, mas ela por si só não é capaz de manter uma relação.

Quando nos dispomos a entrar na vida de alguém é necessário que saibamos que dividiremos, dali em diante, a vida com uma pessoa que possui suas próprias cicatrizes, uma criação familiar diferente da nossa, a vivência e toda bagagem que traz de suas relações anteriores. Desenhar um projeto de pessoa perfeita é tirar o tijolo, aquele pilar, que sustenta uma edificação. A probabilidade de ela vir ao chão é tremenda.

Todas as vezes que busquei modificar alguém, com aquilo que julgava ser o modelo de pessoa perfeita para dividir a vida comigo, estupidamente fracassei. As pessoas não são massinhas de modelar, aquelas que nossas mães compravam para nosso uso no jardim de infância, elas são feitas de carne e osso. O máximo que podemos fazer a alguém é mostrar a direção e tentar explicar que suas atitudes não são corretas ou que as prejudica.

Há algum tempo eu descobri, da pior maneira possível, que por mais que eu ame alguém ela só permanecerá em minha vida se o ‘destino’ quiser. Entendi que as aparências são enganosas. Que o esforço em manter alguém em minha vida não deve ser maior do que o amor que sinto por mim mesma. Não se pode obrigar alguém a ficar onde não se deseja, puxar o outro pelo braço como se puxa uma criança birrenta.

Eu aprendi nesses tempos que o amor não é um campo de batalha, as lutas não deverão ser diárias, o relacionamento não pode se tornar um ringue. Há que haver equilíbrio. Desde então os meus pés andam cuidadosamente sobre os terrenos da vida. Não que eu tenha desistido do amor e não queira achá-lo, só tenho receio de novamente andar por um campo minado, pois sei que o processo desastroso e doloroso que é reconstruir o nosso coração.

terça-feira, setembro 11, 2018

A gente nem quer vida de comercial de margarina

A gente nem quer vida de comercial de margarina. A sociedade é que internaliza isso em nós. Eu nunca, por exemplo, quis uma manhã onde as pessoas sentam à mesa e tomam seu café sorrindo, lendo jornal e jogando pão para o cachorro. Eu sempre quis o simples. Eu gosto é dessa agitação que a vida é. Gosto de acordar e cozinhar ovos, enquanto escovo os dentes e calço meu tênis. Eu gosto é de mandar mensagem de bom dia ofegante, porque estou mais atrasada que tudo.

A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde. Mas ninguém sabe o quão difícil é para ele mantê-la daquele jeito. Grama esmeralda, um dia eu pensei. Pesquisei e vi que ela requer tantos cuidados que decidi cimentar o quintal. Que absurdo você trocar a natureza por concreto. Absurdo maior é plantar e não cuidar. Absurdo maior é cativar alguém e levar de qualquer jeito, empurrar com a barriga até onde der. Absurdo maior é querer uma vida de comercial de margarina e não ter zelo pelo outro. Absurdo maior é ser egoísta, ser parvo, ser cretino e ser escroto.

Ah.

A gente nem quer vida de comercial de margarina. Porque ser certinho enjoa, porque a rotina cansa, porque o marasmo põe em xeque o que sentimos. Por isso que eu quero uma vida agitada mesmo. Quero acordar e saber que o outro está ali, porque quer e não porque está cumprindo com o papel que a sociedade diz que é certo. Quero dar um beijo de despedida com gosto de “te espero mais tarde” e não de forma automática. A gente tem amado de forma tão mecânica que esquecemos como é bom colocar o queixo no ombro do outro e mirar o nada enquanto sentimos o cheiro de lavanda que ele tem. A gente tem amado de forma tão mecânica que não conseguimos mais ler o outro, não nos atentamos às suas emoções.

A gente nem quer vida de comercial de margarina.
A gente quer é olhar na íris do outro e saber que ele de fato está ali.