Eu aprendi a amar o seu jeito, seu modo de ver a vida, os seus sonhos. E isso foi tão involuntário. Tão natural, eu diria, como inspirar e respirar. Eu aprendi a me amar em seus olhos, nas suas palavras doces, em sua voz imponente, em sua obstinação em abraçar a vida e conhecer o mundo. Eu me vi uma pequena aventureira ao adentrar seus cômodos, ao deixar a minha mala sobre a sua cama e, aos poucos, tomar meu espaço em seu guarda-roupa.

Eu aprendi a enxergar a vida de uma nova forma, me vi cheia de sonhos – eu descobri que podia sonhar –, eu me vi com asas dando rasantes no céu e enxerguei, ainda, constelações inimagináveis em sua retina. Eu amo cada milímetro teu e, confessamente, eu digo que amarei até os espaços empoeirados, escondidos, que ainda não conheço de ti.

O amor é uma doce loucura e me vi colocando, por livre espontânea vontade, uma camisa de força tecida de flores silvestres e ramos de margaridas. Irônico é ter que se perder para se encontrar, e eu me encontro. Eu me deparo, cada dia mais, em tuas palavras bonitas, em teus carinhos sinceros, teus gestos que me desconcertam, acalmam e me pergunto se a vida sempre foi bonita assim. Se ela sempre foi tão precisa e cheia de cor.

Eu aprendi a abrir a janela do coração, aprendi a amar a luz do Sol e apreciar o quentinho que ele nos causa na pele. Eu aprendi a amar a cor de meus cabelos e minha forma de olhar. Tudo isso porque os teus olhos hoje me parecem o espelho mais sincero que existe. Eu aprendi a colher margaridas em teus ombros, a beijar teu coração com meus lábios e amar o teu modo de respirar a vida. Eu desconfio que aprendi a viver – novamente – a vida como alguém que há anos esteve aprisionado em uma torre. Eu me vi Rapunzel, meu bem, apesar de ter cabelos curtos.


Eu aprendi a te (me) amar.