E se eu lhe entregar meu coração
E meu coração for um quindim
E se o meu amor gostar então
De mim.



Chico Buarque de Holanda

É que eu fiquei com medo de mergulhar no desconhecido. Embora, eu soubesse que há muito de mim aí dentro. É que às vezes de tanto sofrer a gente tem mania de se comportar como um animal acuado. Não consegue enxergar um óasis quando se depara com um e acha que tudo é miragem. E sabe, doce, eu acredito que andar por esse deserto contigo tem sabor de aventura. Você está sendo, de várias formas, uma fortaleza e porque não dizer um abrigo. Sabe, eu me prendi nos últimos anos no "se" e confesso que ele enroscou em mim tal qual uma liana em sua árvore escolhida e ficou tão difícil me desvencilhar dele. Porque sempre surgia: "e se não for pra ser", "e se ele me magoar", "e se a amizade acabar" e etc.

É. Você me conhece tão bem que sabia que as interrogações iriam fazer festa dentro da cabeça. Contudo, você soube me esperar. E confesso que por um minuto eu pensei que na primeira indecisão você cairia fora, diria que não estava disposto a ir tão longe por ninguém, mas não. Você ficou e me abraçou, e me quis, me fez te querer. E por isso estou escrevendo aqui essa carta desconexa, mas cheia de sentimentos, porque eu percebi que nem sempre é necessário ter as respostas para todos os "ses" em questão. Às vezes é preciso apenas deixar a vida seguir o seu devido curso.

E hoje, ouvindo o Chico cantar, percebi que não há motivos para não entregar o coração de novo. A gente sempre fica com medo de alguém magoar não é? Mas, sabe. Eu estou disposta a dar a alma e o coração a todos os "ses" que vou encontrar nessa nova fase com você. Porque o primeiro a se deparar com um "se" foi você e embora houvesse várias indicativas para um não, você resolveu insistir. Então, bonito, eis me aqui para todos os "ses" que a vida irá colocar em nossos caminhos.