É um brevíssimo segundo, eu sei.A vida que há muito me escorre entre os dedos, os dias que se passam sem ao menos dizer: “olá!”. O tiquetaquear do relógio que se torna inaudível e, incrivelmente, me parece roubar horas, minutos, segundo. E essa brevidade não me apetece como aquele bolo docinho que derrete na boca, ela me apavora. Porque eu sinto não ser, por vezes, capaz de concretizar tudo aquilo que desejo. Percebo que estacionei em alguns lugares e por mais que eu tente engatar a marcha, ela não vai.

Só que Tu me vens maciamente e ao pé do ouvido dizes: “há tempo para tudo.” E então eu compreendo que tens razão. Que não há como colocar o carro na frente dos bois, que o Teu tempo é diferente do meu e que eu devo esperar Tuas demoras. É difícil, Senhor. Mas desde que comecei a dar graças por tudo a minha vida é fruta-cor, os meus dias mesmo que breves são felizes.

E esse vento doce que me vem beijar a face nessa segunda-feira fria, é apenas o prenúncio de que Tu estás a caminho, que andas ao meu lado e que me ergues. E não importa o quanto a dor possa me alcançar, se a minha mente estiver em Ti, ela não me ferirá. E eu creio que o Teu abraço que me embala continuará até os fins dos tempos.

Entendi que a felicidade está ao nosso alcance.
Ao meu.