O gelo que te envolve, vezenquando.

- Ah, o amor. - Pensou ela.
E não pôde completar a frase. Não que ela não quisesse, não conseguia. Sempre soube que o amor tinha suas lascas afiadas e que acabaria se machucando. E assim sempre acontece. O amor, ela generalizou, irá matar você. Ela conversava com o pipoqueiro que, impacientemente, arrumava a sua carrocinha. A moça encontrou no desconhecido um ombro amigo, alguém para desabafar sobre a ausência dele. O velho com o olhar terno, despediu-se diante da noite que avançava furtivamente. E ela continuo ali.



A moça vermelha com o rosto em formato de coração estava ali. Sozinha. E soube, que doeria, voltar para casa e saber que não haveria recados na secretária eletrônica que a avó lhe dera, que faria apenas uma torrada e ainda assim deixaria metade e ele não estaria lá para obrigá-la a comer, que ele não seria mais a cobaia dele em seus experimentos gastrônomicos.



E andando meio zonza, abraçou-se enquanto olhava para o relógio na Praça Central. Sentia frio. E soube ali que não havia mais o nós, apenas um "eu" congelando em plena avenida. Porque até a mais bela rosa, poderia esconder os mais terríveis espinhos. E assim, ela soube, que o amor também poderia ser inimigo.

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2 comentários

  1. Lindo e profundo texto.
    E é a verdade, o amor machuca demais.

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  2. Belíssimo Pâmela.

    Sentimo-nos assim inúmeras vezes quando a ausência de alguém nos envolve. Isso por vezes é dificil transpor. Sinto-me muito assim em muitos dias.

    Bom te ler.

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