Eu não compreendo como vem sendo fácil transcrever, ou melhor, traduzir o que meu coração anda sentindo ultimamente. É suave. E tento não ir com tanta sede ao pote, por isso tenho me resguardado a transpôr em linhas o sentimento, porque tenho aquele medo leve de embonitar demais as coisas, entende?

Mas, nesse emaranhado de sensações, eu percebi que a água já cobre a minha cabeça, afoguei-me no sentimento e juro que não há como voltar. Tu não compreendes ainda o efeito letárgico que me causa com esse teus olhos de mil cores que sorriem para mim, tu não sabes que a tua voz me é convidativa. Sim, a mergulhar dentro de ti.

E tu não sabes, não sabes e não sabes.
Ainda.

Porque a qualquer momento estará tão visível na minha testa, quanto um letreiro nova-iorquino e mesmo que eu tente disfarçar não haverá escapatória. É que tu me vens assim, de mansinho, às 10h, ao meio-dia, às 17h e essa incerteza de horários, essa inconstância me dá um angústia. Em meu pensamento sempre há aquela interrogação: ele virá hoje? Daí tu, com a tua maestria, me vem sorrindo alegre e desconcertante.

Eu, sinceramente, queria fazer diferente dessa vez. Ser mais fria e calculista, pisar com calma no terreno arenoso, mas eu não estou conseguindo. Percebeste? É. O teu sorriso parece que já me conhece.

Tá vou parar de escrever. Ando embonitando demais e já estou ficando é boba.


Dedos inertes por um bom tempo de agora em diante ;)