A moça da história.

"Eu pensei em mim, eu pensei em ti, eu chorei por nós. Que contradição só a guerra faz, nosso amor em paz."

Gilberto Gil

Eu poderia usar de sofisma para inventar uma realidade diferente dessa. Mas, eu acho que devo me despir de toda essa roupagem que adquiri nos últimos tempos. Eu não era assim: carente, fraca, impulsiva, obsessiva e possessiva. Dentre outros adjetivos que pesariam ainda mais nessas linhas que vou tecendo confessamente. Acontece que o meu coração entrou em paranóia e anda tão independente que parece não se comunicar entre os outros órgãos dentro de mim, como se ele tivesse vontade própria e mesmo que eu grite com ele, bata, ele se comportará tal qual um menino birrento que só dá atenção as suas vontades.

Eu não queria viver nesse embate. Esse combate que não possui vencedores, esse sentimento estagnado que não evolui e nem regride. E essa perca de fluidez que me incomoda, sabe? É não correr e só discorrer sobre o sentimento, é viver um amor unilateral que me leva a loucura, que me confunde, me afunda em mim. O problema é que assim que entrei pela porta da frente havia alguém sussurrando ao ouvido dizendo: é perigoso, não vá, você vai se perder. Só que eu não dei ouvidos, porque eu sempre fui teimosa. É, talvez você não conheça, mas esse é o meu pior defeito. Eu gosto de pagar para ver, gosto do risco e sempre acabo mal no final das contas.

A minha vontade em escrever é apenas para desabafar o que está arranhando as paredes do meu estômago, essa dor lancinante que insiste em me cortar por dentro. É porque eu me perdi dentro de mim, da minha cabeça, das minhas vontades, eu não tenho as rédeas da minha própria vida. Eu perdi completamente a minha essência e não é culpa sua. É culpa de todos os relacionamentos passados que eu já tive, de todos os erros que tentei corrigir, de todo o não que eu quis tornar sim.


E você apenas surgiu nesse mundaréu de emoções e desconcertos. Num momento completamente errado e confuso. Tentei me encontrar e acabei me perdendo. E quando eu penso que estou no controle é que eu vejo o quão dependente dos meus instintos eu ainda sou. A única coisa que eu quero agora é paz, aquela que o Gilberto Gil canta. Eu só te quero amigo, só que meu desejo se confundi quando eu te vejo. Acho que na realidade é só apego.

Tags:

Compar:

10 comentários

  1. Situação complicadíssima. A gente não sabe se gosta, se é só carência com um pouco de carinho e tesão.. sei lá, vai saber exatamente disso tudo pode ser feito um amor.

    Viajei?

    Bjos

    ResponderExcluir
  2. Nossa, Mel.
    "Eu só te quero amigo, só que meu desejo se confundi quando eu te vejo. Acho que na realidade é só apego." Vou guardar pra vida, esse trecho.

    Resumiu tudo por mim, bonita.

    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Tem uma música de M. Gadú. A única que sei. E ela diz assim: "o apego não quer ir embora. Diacho, ele tem que querer!"

    E ele acaba indo, sabe, Pam. Ele acaba indo. Às vezes os sentimentos se confundem tanto que fazem esse nó na gente inteira. Tenta destrinchar. Tirar pedacinho por pedacinho e analisar que não é bem assim. Porque simplesmente, se for coisa boa pra gente, não tem que doer nem causa sufoco algum. Não pra sempre. Não toda hora.

    Eu quero mais é que tu encontre tua paz e a gente possa sorrir dessa tormenta.

    Amor, meu bem. Amor pra você, daqui.

    ResponderExcluir
  4. Pâmela, ler você sempre me deixa sem saber o que dizer. Sua escrita, além de bela é intensa e cheia de mensagens, dizeres profundos que nos ensinam muito.

    É sempre proveitoso passar por aqui.

    Quanto a todo esse cenário interno/externo, deixe a vida ser, escreva e deixe a vida ser, não há muito mais que possamos fazer diante disso tudo.

    Beijos doces

    ResponderExcluir
  5. E no meio desse desconcerto, penso que a vida é essa conexão secreta entre ter e querer. Uma cilada voraz entre o sim e o não. Um encontro de apegos que sempre acabam dentro de um sentimento que não dói. Mas mesmo assim machuca. Entre apegos e exageros o amor se confunde na linha entre o desejo e a carência. Quando tocado de leve ele se encaixa e ás vezes fica folgado dentro do peito.

    Lindo Pam!!
    beijo lindona!

    ResponderExcluir
  6. " A única coisa que eu quero agora é paz" e quem não quer?

    Pamela, primeira vez passando aqui nao Pedaços... Parabéns, seus textos são maravilhosos! To seguindo, claro.

    Beijo =*

    ResponderExcluir
  7. É engraçado como certos sinais aparecem, de um jeito ou de outro, quando as dúvidas pegam a gente.

    Hoje, você me apareceu: escrita bonita, histórias parecidas e uma força que sim, existe bem aí e mesmo que a carência apareça. É tão forte que conseguiu definir toda a ciranda que tá acontecendo aí dentro.

    E tornou tudo tão simples pra mim que, sei lá, você respondeu o meu dia.

    Um abraço forte, e continua (eu volto).

    ResponderExcluir
  8. Faz tempinho que passo por aqui ja e só agora fiz um blog pra mim. Sempre que leio seus textos, me surpreendo. São belíssimos.. Parabéns! Voce escreve muito bem. Estou te seguindo ja!

    Se puder.. Obrigada! :) http://andreakopper.blogspot.com/

    ResponderExcluir