A culpa.

Vai passar, nós dois sabemos que vai passar. Não hoje, talvez daqui um mês ou quem sabe alguns anos. Mas passará. Eu é que ando meio down estes dias, ou melhor, desde aquele dia. Não foi fatídico, não há como rotular, talvez eu diga apenas: alívio. Despejo, bonito. O problema todo é que eu não tenho certeza de nada e acho, sinceramente, que eu não devia ter contado. Mas eu havia perdido todo o meu controle mesmo, não conseguia contornar qualquer situação e achava que a qualquer momento explodiria. Então: booom! Foi aí que os meus olhos apertaram-se e por um momento senti as minhas pálpebras pesarem. Deságuei.


Eu esperava você do outro lado, mas continuou imóvel. E do lado de cá eu me desesperava, com uma dor imensa dentro do peito. Sabe quando se tem vontade de gritar ou chorar bem alto, não para que te notem, mas para se esvaziar? Então.
Acontece, porém, que desde aquele dia eu sinto um vazio enorme dentro de mim. Há sim, bonito, outras coisas ao meu redor, mas você era uma das mais bonitas. E pensar em você hoje me dói tanto, que sempre balanço a cabeça a fim de desvencilhar-me de ti. Não funciona.

E então eu choro copiosamente sempre que te vejo on-line ou então quando acordo de madrugada depois de tê-lo comigo, em sonhos, porque a dor de não ter alguém que se ama é excruciante. Eu não digo você em minha vida como namorado, amante ou coisa do gênero. Mas sim a ligação que a gente tinha, a amizade que era. Só que eu penso que é só isso. Me dá nos nervos quando alguém diz: ele fez isso, ele tem planos para aquilo e etc. E eu penso: porra, por que eu tenho que ouvir os outros falando de você? Porque eu não ouço mais de você. E então eu lembro que a culpa é minha.

Só que, doce, não podemos agir assim. Uma pessoa não é um doce que se enjoa, empurra o prato, não quero mais. Eu devo estar cobrando coisa demais de você e sem sentido. Acontece, porém, que eu não consigo me perdoar por ter afugentado você. Irremediável. E eu não queria dizer que te amava esperando que fosse recíproco, porque eu sei que você ama outra pessoa. Mas sair da minha vida de sopetão assim foi, é e está sendo cruel demais.

Você não sabe como me dói escrever essas coisas. Quase morte em vida.

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10 comentários

  1. Tem umas linhas, Pam, que eu temo roubar pra mim. Ali, quando fala do on-line...

    Me calo para não te revelar demais. As linhas são doloridas, a sinceridade transborda tuas lágrimas sentidas e eu te quero abraçar, fortemente, para que tudo que te dói, voe.


    Gosto um tantão de você.

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  2. Triste demais essa dor, toda essa culpa. Espero que seja apenas ficção, de verdade.

    Fique bem.
    =*

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  3. Não que seja um consolo - jamais será - mas quando estamos sensíveis, expostos a uma dor que dilacera e que dificulta nossa respiração, nossas composições ficam ainda mais tocantes. E não foi diferente com você, seu texto está perfeito.

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  4. Oi Pam, mesmo que lhe cause dor imensa, continue escrevendo - esvaziando até a dor vazar toda pelos dedos e não sobrarem palavras para serem ditas no mesmo compasso, no mesmo sentimento.

    Desejo-lhe força e pessoas que possam te alcançar com o corpo, te causar o bem que eu infelizmente não posso.

    Beijos

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  5. Muito bom! Seu blog é show!

    Passa lá no meu depois, se puder siga!

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  6. Nossa, eu acabei de fazer um texto mais ou menos sobre isso.. e olhe o titulo. alivio. heuahue
    eu entendo.. mas, ira passar. deus queira!

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  7. Tem tanta tristeza nessas linhas que chega a ser possível sentí-las aqui, do outro lado da tela.
    As dores passam um dia, é questão de tempo para tudo ir se ajeitando e, quem sabe, ele compreenda tudo e vocês retomem a amizade.

    Beijo, Pâm!
    Espero mesmo que tudo melhore por aí.

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  8. Já me sinti exatamente igual! Fiquei me perguntando se não fora eu quem escreveu este texto.
    Mas passou.
    Às vezes queremos socar as pessoas que tentam nos consolar dizendo:" vai passar, calma". Mas elas não mentem, é pura verdade.

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  9. E esse é simplesmente o pior sentimento... Mas as coisas melhoram com o tempo. Tudo volta pro lugar no final. ._.

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