Dá-me, porém, a sensibilidade de também sentir.

Há alguns dias o amor, — ou isso que costumamos acreditar, acertou-me impiedosamente com tapas e safanões grotescos. Contudo, tentei desviar, dizer que não era a hora, o lugar e até o momento certo. Acostumada ao sentimento enraizado cá dentro, resolvi não me abrir a possibilidades. Não que eu esteja esperando por ele, seria tolice. Ele não me enxerga — não da forma que desejo. E venho martelando e remoendo dentro de mim possíveis encontros, imaginando como seria se. E esse se, magoa-me brutalmente. Porque não é algo que se concretiza, é um mero devaneio apenas que não desenvolve. Entretanto, o amor quis me dizer que se importava. Que há um coração que deseja sentir o meu e eu simplesmente o ignoro. Porque não há como dividir meu coração ao meio, não há como gostar de duas pessoas e mesmo que eu tentasse levar isso adiante não desejo nunca reduzir o coração de ninguém a caquinhos. E por essa triste razão eu continuo cada vez mais só.

Então eu penso: "por que você me ama assim?" e sinto o coração doer ao pensar "por que ele não me assim? como você?" E me dói comparar.