segunda-feira, outubro 24, 2011

De quando eu conversei com Deus.

Com os pés descalços eu me permiti sentir um pouco daquilo que Ele nos presentou. Sentia pequenas fisgadas devido as pedras pontiaguadas que insistiam em me fazer "carinho", mostrar que estavam lá. Não ligava. Porque tudo ao meu redor era lindo: a água cristalina que me cercava de lado a lado, o íngreme caminho pelo qual percorria, as formigas que subiam em meus pés com insistência, os pássaros que cantavam e faziam seus ninhos. Pode parecer papo de poeta, mas não é. Eu pude fotografar em minha mente cada pedaço, cada detalhe daquele lugar. Porque Ele me pedia aquilo.

No topo de uma pequena montanha eu pude observar toda a beleza feita pelas Suas mãos e sentir a leve brisa que parecia beijar o meu rosto. Delicado. Enquanto as minhas lágrimas escorriam pela face sentia meu coração inchar e aquela sensação de borboletas debatendo-se dentro do meu estômago. Um misto de alívio e aflição. Vários questionamentos.

Sinceramente não há como explicar a sensação que tive. Aquela proteção imensa, como se Ele estivesse ao meu lado. Abraçando-me. Nunca me senti tão viva quanto ali. E pela primeira vez em toda a minha vida eu pude dizer que sentia medo da vida, que não entendia as razões de existir, que não sabia até onde eu era capaz de suportar todo o medo que me ronda. E enquanto as minhas lágrimas banhavam não somente meu rosto, como enxarcava a minha camiseta eu sentia novamente a brisa me beijando suavemente.

Eu tive - inexplicavelmente - um encontro com Deus. E dessa vez foi diferente, porque eu decidi deixar a minha vida nas mãos d'Ele. E sinceramente eu não sei como vai ser daqui em diante, mas acredito que a minha estará melhor nas mãos d'Ele do que nas minhas.

Um texto antigo que está hospedado no meu outro blog que não foi pra frente, o Categórica. Mas que quis postar, porque sempre me lembra o quanto Deus é maravilhoso comigo.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Despedida.

“Deixar-nos dessa forma fora imperdoável.”
Eu repetia para mim mesma com veemência, pois não conseguia acreditar nas palavras que lia naquele papel de guardanapo com a caneta manchada. Era muito ingrata, se ao menos tivesse se despedido de nós, seria bem mais decente do que deixar sobre a mesa esse pedaço de papel idiota. O que eu explicaria a ele? Que ela simplesmente cansou de nós e resolveu partir? Acho que era o óbvio. Acontece que ela sempre foi acostumada a ter tudo o que desejara, então quando se viu obrigada a dividir algo não suportou muito tempo. Talvez eu esteja fazendo uma acusação terrível ou esteja equivocada, mas o que eu posso fazer¿ Não poderia jamais encontrar em mim os defeitos ou descobrir que ela deixou de nos amar. A única coisa que sei é que dói.


Helena.

terça-feira, outubro 18, 2011

Amores de cinema, fiquem no cinema.

Você imagina que encontrará o seu amor em uma situação bem hollywoodiana e devaneia. Imagina-se em um comercial de margarina com uma família perfeita. Só que com o tempo você vê que isso é quase impossível, que os amores de cinema – principalmente os americanos – são tão açucarados porque de fato eles não têm sentimento. Eles inventam situações que desejariam viver, mas que não conseguem por ter um coração gelado, petrificado. Sabe quando um poeta escreve algo que consegue te arrancar um suspiro e que você se imagina em tudo, em cada detalhe? Então. Isso é só utopia.

Porque na realidade você encontrará o seu amor em uma rua qualquer, em uma situação bem esdrúxula e talvez ele nem seja teu por completo. Ele dirá que te ama e te encherá de palavras doces que mataria até um diabético e você ficará deslumbrada com isso, sentirá que não tem controle sobre a sua vida, imaginará que a qualquer momento sairá flutuando por aí e então, cedo ou tarde, você verá que dormir de madrugada conversando com a pessoa foi tempo perdido, que imaginar uma vida para vocês dois terá sido em vão. Porque simplesmente o cara que você gosta não é aquele príncipe do filme que largaria tudo para ficar com você. Ele vive de talvez e você não pode esperar.

E você se sentirá uma pessoa insensível por não conseguir entender os problemas do outro. Por ficar de saco cheio de ouvir: eu queria e não posso. Porque você não tem obrigações com ninguém, porque você sempre buscou os seus sonhos sem medo de ser feliz, porque você sempre teve coragem de arriscar e pensa que as pessoas deveriam pensar e agir da mesma forma. E você se sentirá um monstro por saber que a sua consciência não dói quando você pede a pessoa que suma da sua vida, por você despejar todas as fraquezas do outro sem um pingo de ressentimento.
Você saberá tudo isso, mas está tão cansada de falácias, que nem se importa mais se a relação de vocês acabarem. Se é que algo que nem começou pode acabar.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Não há coração que resista.

E a história começou com os créditos subindo naquele telão preto do cinema. Não
deu tempo de se envolver, de emocionar os telespectadores, porque ela começou
pelo final.



Eu me apaixonei, perdidamente, por ela. Ela não entendia como em tão pouco tempo um sentimento dessa forma havia se instalado aqui dentro e eu, inutilmente, tentava lhe explicar. Ela tinha o coração tão duro e era sempre tão ríspida com as palavras, sempre me desencorajando. Dissera que não poderia corresponder qualquer sentimento, porque não tinha mais espaço para amores em seu coração. Sempre lhe lembrava o real motivo de estarem ali e repetia inúmeras vezes a mim: FOCO, tenha foco. E isso me magoava deveras. Porque ela sempre conseguia me desconcertar com o olhar tímido e me desmontar com os seus nãos consecutivos e ainda assim eu continuava lá.


Por quê? Porque ela me fizera experimentar uma das sensações mais incríveis, que há muito eu havia esquecido: ser um adolescente apaixonado. Ela não entendia. Eu não queria mais explicar, queria apenas que ela sentisse que era real. E eu a olhava ininterruptamente por horas enquanto ela, sequer, me devolvia o olhar. E eu pensava: poxa, como ela é difícil. Eu sempre querendo agradá-la e ela sempre esquivando. Eu dizendo que estava apaixonado e ela apenas pensativa, eu dizendo que a amava e ela assustada pedindo para eu pisar no freio. E eu sem saber o porquê dela ser assim, tão desconfiada, tão dura consigo mesmo.


Sempre achei que as mulheres desejassem ter alguém aos seus pés, que lhe contasse os sentimentos inconfessáveis, mas ela era diferente. Ela não queria. Ela que tem palavras tão bonitas, que escreve poesia e fala de amores, se recusava a ouvir que eu a amava, que eu a queria. Não deu para entender ainda o desfecho disso tudo. Ela simplesmente pediu que eu a abandonasse, que não a procurasse e assim eu fiz. Ela não sabe, mas sinto falta de dormir conversando com ela. Ou melhor, de ficar esperando uma resposta e receber às 4 da madrugada um sms dela dizendo: eu dormi.


Ela não sabe, mas está me fazendo falta.

quarta-feira, outubro 05, 2011

A vida que me bate.

Os meus dedos não têm mais prazer em teclar os meus pensamentos. Isso me consome e dói como uma ferida que não quer cicatrizar, porque eu sinceramente amo o que faço, mas estou sem coragem de escrever, as idéias não se encaixam e os textos não saem. É como se houvesse uma desconexão quando sento em frente ao PC, essa folha de papel do Word parece intimidar os meus pensamentos, eles fogem numa velocidade tão imensa e não há como alcançá-los. Eu preciso escrever, porque é esse o meu combustível. Eu escrevo porque é necessário, porque é minha terapia e eu não consigo mais e isso me machuca. Eu ando tão infeliz ultimamente, bem mais que o normal, tenho me frustrado comigo mesma e com os resultados que venho obtendo com os meus ‘esforços’, parece que nada nunca é suficiente. Não basta ser bom, tem que ser o melhor.

Me ‘violentei’ por uma coisa que queria muito, fui além dos meus esforços humanos e o que obtive? Mais uma negativa. A vida parece gostar de me dar nãos consecutivos, parece se deliciar com os meus fracassos e rir da minha cara quando eu não consigo. E eu, eu tenho lutado com todas as minhas forças para não desanimar, para erguer a cabeça e continuar firme no meu propósito. Eu não quero ser alguém mais ou menos, eu venho tentando há tanto tempo ser alguém, ter os meus objetivos realizados, mas eu vejo cada vez mais longe os meus sonhos, parece que a estada não tem um fim. Eu sei que desanimar e parar aqui, na metade, é besteira. Que eu voltarei ao final da fila, mas é que eu ando tão cansada de mim. Cansada de não conseguir, cansada de ouvir as cobranças, cansada de ouvir as esperanças. E o que mais me dói, talvez nem seja não conseguir, é saber que as pessoas acreditam em mim e no final eu decepcioná-las.

Caminhar tem sido tão difícil para mim.

terça-feira, setembro 13, 2011

Quando eu não quis o amor.

Ei, beibe! Não me absorve com esse teu olhar de menino-levado que eu fico e tu sabes bem que não posso. É que o teu magnetismo me retêm aqui, contudo tu sabes que não fomos feitos um para outro apesar de insistirmos nessa empreitada. Sim, eu sei que ela não será bem sucedida ao final e um dos corações será prejudicado nisso. Mas, é que quando tu me vens assim maciamente, como quem não quer nada o mundo parece perder todo o sentido. Só que tu não sabes é que meu coração tornou-se por ora campo minado e, acredito, que tu não merece arriscar a adentrá-lo. É, a instabilidade sempre habitou em meu coração e arrisco até dizer que a outra metade dele é movediço. Acontece, anjo. Que tu chegou na minha vida no momento mais errado e na fase mais estranha. Tu com teus problemas e eu com minha falta de paciência e então me perdoe por não conseguir acompanhar o sentimento. Por achar que o próximo passo é sempre arriscado e acima de tudo por não dar reciprocidade a um sentimento tão bonito.

Eu que falava tanto sobre querer um amor, tornei-me vítima dele. Sim, agora que ele apareceu.