Amamos como pudemos.

17:27


Quando você partiu pensei que eu não fosse suportar. A verdade é que a sua presença era tão certa em minha vida como o nascer do sol todas as manhãs. Eu realmente não estava pronta para lidar com a sua ausência e a falta das suas mensagens matinais me desejando um bom dia. Só que esse dia chegou e eu suportei. Doeu demais ver você caminhando em direção oposta a mim, mas aos poucos fui entendendo que não éramos para ser. Criamos um mundo em nossas mentes, possível somente aos nossos sonhos. Ansiávamos pelo dia em que ficaríamos juntos, mas nos contentávamos com aquilo que era possível a nós. Amamos como pudemos. Fomos como poderíamos ser.

Desfizemos o laço quando já não era mais possível manter qualquer tipo de contato. Rompemos abruptamente. Sem olhar para trás nós recolhemos nossas memórias e, sem nenhum cuidado, as jogamos debaixo de um móvel qualquer. Nossas músicas nos doíam demais e apesar de irmos, voltávamos com frequência - na pontinha dos pés, na calada da noite, como quem só quer olhar de longe e saber que o outro está bem (ou se sente a nossa falta). Deixamos de ser há alguns anos e hoje estava pensando que após a sua partida eu consigo superar qualquer outra. Nenhum amor é eterno.  O amor é até onde permitimos que ele seja, até onde oferecemos terreno para que ele germine e floresça. Até onde nós nos dispomos a regá-lo.

A nossa relação me machucou ao ponto de eu acreditar que não era boa o suficiente para ser amada. Mas, ainda assim, eu me permiti ser de outro alguém. O problema é que venho repetindo padrões desde que você se foi. Venho abraçando amores impossíveis e difíceis demais de resolver. Meus relacionamentos não têm vingado, porque tenho buscado ser a salvadora da pátria de quem tenho estendido a mão. Depois de você pensei em amar um velho amigo. Tínhamos tudo para sermos um bom casal, mas não fomos. Amei errado demais, de maneira unilateral, então acabou. Antes mesmo de se fazer real.

Abri meu coração e resolvi dar uma segunda chance a quem soltou a minha mão. Não havia amor, mas havia carinho. E naquele momento eu só precisava curar um pouco a minha carência e me sentir desejada. Acontece que não sei brincar de amores e me magoei profundamente. Achei que poderia sair daquela quase-relação sem me magoar, mas não consegui e ao ser rejeitada confundi despeito com amor. Diante disso, tentei caber em um lugar que não me cabia somente para alimentar o meu ego. Não é novidade nenhuma que mais uma vez eu sofri.

Então cruzei o caminho com alguém que aprendi a amar ainda na infância e novamente eu me vi protagonizar uma história impossível. E mais uma vez, como minha psicóloga sempre diz, eu voltei a repetir padrões. Acho que me permito amar à distância, porque é seguro para mim. Porque não me exige esforços e nem me põe em conflito com traumas e medos que carrego dentro de mim. Hoje estou aqui, mais uma vez, me perguntando se o amor é tão difícil assim ou se algumas pessoas são sorteadas. Sei lá! A carta nem era sobre você, mas é que tudo é tão igual e dolorido que eu queria que você entendesse que não foi o único partir o meu coração (sempre haverá alguém que irá te superar).

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