Vez em quando eu volto àquela quadra. Volto ao banco em que sentávamos. Sinto o frio queimando levemente a bochecha, mas lembro do calor dentro do seu moletom que me aquecia. Tudo era tão bom e, ao mesmo tempo, tão desesperador. Eu não sabia exatamente o que sentir, só sabia que era confortável… e ainda assim eu tinha medo do amanhã. Tinha medo de pertencer.
Vez em quando eu fecho os olhos e vejo seus olhos azuis sobre mim. Você cheirando meus cabelos, passando os dedos entre eles com uma calma que parecia parar o tempo. Vez em quando vejo você se esgueirando para dentro da minha sala só para me chamar. Ouço o sinal tocar e sinto o coração se encher de borboletas.
Por que eu deixei você ir embora?
Por que eu decidi ir embora?
Se eu pudesse fazer diferente, faria. Às vezes me pego pensando em como teria sido. O que estaríamos fazendo agora. Se teríamos construído algo juntos. Se ainda estaríamos caminhando nos mesmos planos ou se teríamos inventado sonhos novos para dividir.
Esses dias sonhei com você. Parecia tudo tão real. Nos vi de mãos dadas, sorrindo como se o mundo fosse simples outra vez. Como é fácil te amar nos meus sonhos… por que eu não fui corajosa?
Te espero mais uma vez nos meus sonhos.
Até que um dia, eu espero, que a vida me devolva você novamente.
E talvez a vida não devolva você do jeito que eu imagino. Talvez o tempo tenha mudado nossos caminhos, nossas vozes, nossas certezas. Talvez você já não seja o mesmo menino que atravessava o corredor para me chamar.
Mas as memórias não envelhecem do mesmo jeito que as pessoas. Elas ficam guardadas em pequenos lugares do mundo: naquele banco frio, naquele cheiro de moletom, naquele instante antes do sinal tocar.
Às vezes penso que o amor que não vivemos completamente continua existindo em algum lugar entre o que fomos e o que poderíamos ter sido.
E se um dia nossos caminhos voltarem a se cruzar, talvez eu não pergunte nada. Talvez eu apenas sorria, como quem reconhece um pedaço antigo do próprio coração.
Porque, no fundo, algumas pessoas não passam pela nossa vida.
Elas ficam. Mesmo que apenas nos sonhos.
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