Perco.

Tenho a memória fraca demais e pouco tato para as coisas. Eu as perco. Perco as chaves de casa por onde ando, os meus óculos nos lugares mais improváveis e algumas pessoas, por aí, nesta longa estrada. Talvez por não estar suficientemente pronta para recebê-las. Meu coração é casa, mas esteve desarrumada por um tempo. Havia móveis demais. Entulho demais. E eu só percebi a desordem quando me vi diante de alguém, de uma lembrança. Uma pequena recordação que me fez pensar que posso até perder objetos, mas não pessoas.

Não esse alguém.

E hoje eu vejo o quão ‘errada’estive. Não em manter a porta trancada, mas por não me permitir abrir uma janela. Deixar que a luz entrasse pela fresta e beijasse o meu rosto, me convencesse que era ele. Talvez não seja. A gente nunca tem certeza de nada. Acontece, porém, que os olhos dele ou, talvez, a voz mansa me convenceu que eu estivesse completamente errada.

Convenceu.

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